sexta-feira, 30 de novembro de 2012

História da Igreja: “Acção e influência dos monges de S. Bernardo no Nordeste-Transmontano (SS. XII-XVI), partindo de Santa Maria de Moreruela, em Leão.” De António Maria Mourinho

Este artigo foi escrito no âmbito das comemorações do nonicentenário do nascimento de S. Bernardo, monge cisterciense, grande propagador da Ordem e defensor da Igreja. Após o Tratado de Zamora, em 1143, celebrado entre Afonso VII, Imperador de Leão e Castela e seu primo Afonso Henriques chegam a Castela Pedro e Sancho, dois monges cistercienses franceses, enviados por S. Bernardo a pedido de Afonso VII. Por toda a Europa, a instalação de monges cistercienses era vista como uma cruzada ocidental com carácter colonizador (havia a necessidade urgente e simultânea de ocupar, desbravar, arrotear e repovoar cristãmente grandes zonas férteis de territórios pouco ou nada povoados) e Afonso VII doa terrenos e concede privilégios, a estes monges, em territórios de Zamora para nele construam um mosteiro e vivam em comunidade com o resto dos seus companheiros. Surge o Mosteiro de Santa Maria de Moreruela, localizado num vale, na margem esquerda do Elba a 30 Km noroeste de Zamora, que vai albergar uma grande comunidade monacal que irá influenciar económica e culturalmente uma grande extensão de territórios, nomeadamente terras de Zamora, Leão, Valladolid, Salamanca e a partir de 1211 o Nordeste Português (terras de Miranda, Macedo de Cavaleiros, Bragança e Mirandela). Após esta data e durante três séculos o Mosteiro adquiriu e recebeu doações de propriedades em mais de 23 povoações e quintas portuguesas, tendo três povos em posse absoluta (Ifanes, Angueira e Caçarelhos). Durante este tempo de convivência, com os monges cistercienses, as populações destas terras foram sendo influenciadas pelo seu modo e filosofia de vida. O autor, do artigo, enumera essas influências ainda visíveis nos dias de hoje:
1.ª A monumentalidade granítica, simples e despida das igrejas e capelas paroquiais; 
2.ª Os portais principais das mesmas igrejas, de arcos apontados ou de meio ponto e com arquivoltas lisas; 3.ª A promoção da exploração do ferro pele Mosteiro e a sua manipulação na forja; 
4.ª A fabricação intensiva e extensiva das lãs regionais, transformadas em mantas e buréis para vestuário e uso doméstico (Capa de Honras);
5.ª A Língua Mirandesa, tradição viva de Moreruela;
6.ª As imagens dos grandes Cristos crucificados, em tamanho natural, de corpos extremamente sofredores e torcidos, ainda conservados em algumas igrejas mirandesas; 
7.ª Os grandes soutos de castanheiros centenários que se vislumbras no montes desta região; 
8.ª A profunda religiosidade cristã, sobretudo na expressão do culto mariano, da intensa devoção à Santa Cruz e às Paixão de Cristo e das Amas do Purgatório e todo o culto dos mortos. 

Exposição apresentada por Ivone Brás, no âmbito da disciplina de História da Igreja, no IDEP

sábado, 24 de novembro de 2012

História da Igreja - Igreja de São Salvador de Ansiães

Ainda dentro do mesmo tema, fica uma parte do documentário "A alma e a gente", do grande historiador José Hermano Saraiva, sobre a Igreja de São Salvador de Ansiães:
A Alma E A Gente - Carrazeda De Ansiães (parte 1) por Videos_Portugal

História da Igreja - trabalho sobre a Igreja de São Salvador de Ansiães

O nosso colega de Estudos Pastorais - José António Fonseca - fez um trabalho sobre a Igreja de São Salvador de Ansiães, no âmbito da disciplina de História da Igreja. O tema foi proposto pelo professor Pe. José Luís Amaro e apresentado durante a aula numa relação com a Idade Média e a história da Igreja nessa altura Esta igreja é considerada uma jóia da arquitectura românica em Portugal, graças a elementos de grande valor e originalidade. É o caso da iconografia de Cristo em Majestade no portal principal, que constitui o mais complexo exemplar deste estilo no nosso país. Nela destacam-se ainda as representações dos apóstolos, bem como outras duas enigmáticas figuras que poderão tratar-se de Judas (carregando ao colo o demónio) e, do outro lado, um ancião (talvez Moisés) com as Tábuas da Lei. Mais pormenores no trabalho do nosso colega:

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

História da Igreja - trabalho

O prazo de entrega do trabalho de História da Igreja, fundamentado no resumo de um capítulo do livro "Igreja no Tempo, breve história da Igreja", de D. Manuel Clemente, acaba amanhã. Fiz um vídeo relativo aos primeiros três séculos mas como excede o tamanho permitido para o envio de e-mails, vou colocá-lo aqui online:

Os professores

Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade. A escola,como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito ... Ver maisde liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria de mundo em que o mundo se tem vindo a tornar. Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo. Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes. Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se estivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível. Dá -me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos. É como pedir que abdiquem de melhorar os nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias. Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto. As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um pais que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se. V.H.Mãe

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

História das Religiões

Propostas para o Ano da Fé, por D. José Cordeiro


O bispo de Bragança-Miranda, D. José Manuel Cordeiro, acaba de lançar um novo livro com doze propostas para ajudar os fiéis a viverem melhor o Ano da Fé que a Igreja Católica está a promover. 
A obra, intitulada “Fé acreditada, Fé rezada”, procura contribuir para uma crença católica “próxima do ritmo litúrgico e esperançosamente inscrita na vida quotidiana”. 
As sugestões incluídas na publicação “tanto podem ser seguidas integralmente como servir de apoio e inspiração às dinâmicas celebrativas dos diversos grupos e comunidades eclesiais”, acrescenta. 
O projeto de D. José Cordeiro, com a chancela da editora PAULINAS, vai ser posto à venda em Bragança na próxima semana, na Casa de Santa Clara (mais conhecida por Casa do Arco). 
No lançamento do Ano da Fé na sua comunidade, a 14 de outubro, o bispo sublinhou a necessidade de “educar” as pessoas para a “participação” na liturgia, considerando este objetivo “um enorme desafio” para a Igreja. 
O especialista em Liturgia salientou ainda que “a espiritualidade não se ensina, aprende-se e experimenta-se”, incentivando os fiéis a uma maior atenção ao cumprimento dos sacramentos, que “têm a função de santificar, de edificar a Igreja”, à “oração”, sinal da “relação com Deus vivo e verdadeiro” e à prática da “caridade, elemento imprescindível para a verdade do culto cristão”. 
Nesse âmbito, o prelado apresentou três obras, uma dedicada aos mais novos, “Youcat, orações para jovens”, outra intitulada “Liturgia, a primeira escola da fé”, e uma terceira sobre o 50.º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II (1962-1965), “Vaticano II, 50 anos, 50 olhares”. 
Com o livro “Fé acreditada, Fé rezada”, D. José Cordeiro remete os fiéis para temáticas como o crescimento na fé, a importância do “testemunho credível” e “a novidade da Páscoa”. 
O Ano da Fé, convocado por Bento XVI, teve início no dia 11 de outubro, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II e vinte anos após a publicação do Catecismo da Igreja Católica, e vai decorrer até novembro de 2013.

sábado, 17 de novembro de 2012

Revelação e Fé: apontamentos III


Os Milagres de Jesus:significado para a fé dos contemporâneos de Jesus; o que é um milagre; o significado na vida actual; a ideia do milagre e a conceção do mundo e da ciência moderna; como explicar a um não crente.
Um milagre causa admiração porque é um mistério, exige fé. Para acolher um milagre é preciso ter fé e exige-se mudança e conversão. Jesus, quando passava em algumas localidades, não fazia milagres porque as pessoas não tinham fé. O milagre é um gesto de poder, um sinal de Deus aos homens. A palavra milagre vem do grego “semeion” e significa sinal.
Tem três características fundamentais: natureza extraordinária e natureza divina; significado e carácter de sinal; contexto de fé em que acontece.
O milagre nunca é puramente objetivo, é sobretudo um sinal para a fé. É mais do que um prodígio. Um sinal pretende significar algo a alguém, criar uma relação. Através dele, Deus faz um apelo à salvação, para que acreditem.
É preciso que haja predisposição e abertura de fé ao milagre. A fé é uma opção fundamentada mas livre. O milagre é um sinal que pretende suscitar e fortalecer a fé.
Na vida de Jesus, muitos, vendo os seus milagres, continuaram a não acreditar nele. Um dos segredos messiânicos é que Jesus faz os milagres onde há predisposição da fé e diz: “não conteis a ninguém”, pois não quer passar por um curandeiro, quer antes transmitir uma mensagem ao mundo.
Os milagres de Jesus são sinais do reino messiânico anunciado e iniciado por Jesus, cumprimento da promessa que conduz todo o Antigo Testamento e que se concretiza no Novo Testamento.
Outros esperavam um Messias que vingasse o povo de Israel e Jesus não correspondia porque a sua mensagem é Amor. Jesus não se deixou influenciar e seguiu sempre o seu caminho. Os milagres manifestam em Jesus o poder de Deus, são sinais de amor de Deus presente e atuante em Jesus, que garantem a autoridade como Messias e antecipam a ressurreição de Jesus, sinal da Nova Humanidade e do Reino Escatológico. É um sinal complexo e polivalente para suscitar, confirmar e fortalecer a fé.
Sem a fé na Ressurreição a fé seria em vão, tudo perderia sentido.

Em síntese:
·         sinal do amor redentor e restaurador de Deus;
·         sinal da vitória última e definitiva de Deus sobre o mal;
·         sinal da vinda do reino de Deus escatológico e definitivo;
·         sinal da glória de Jesus e confirmação da sua vinda messiânica;
·         sinal do grande e último sinal: a ressurreição de Jesus e a sua confirmação definitiva.

Mistério Pascal – vem do hebraico “pesha”, significa passagem. Pode ser entendido num sentido estrito: Paixão, Morte e Ressurreição; e num sentido amplo – a Ascensão, a Glorificação e o Pentecostes.
No mistério a vida de Jesus há dois momentos essenciais: a cruz e a vida nova. Significado salvífico e redentor, significado revelador.
Deus revela-se na história e salva-nos. A revelação não significa apenas a transmissão de conhecimentos, mas a comunhão de vida, a salvação.
Quando Jesus se proclama Messias Rei e fala com Deus como Pai, levanta problemas ao povo de Israel, pois a intimidade com Deus era impensável. Estes são motivos que o levam à condenação.
A sua ressurreição veio provocar a reflexão. Os apóstolos reflectiram em tudo o que Jesus tinha feito e dito e no que tinha acontecido e começaram a escrever, dando origem ao Novo Testamento. A ressurreição abriu o espírito dos discípulos, pois a reflexão levantou várias questões: quem é o ressuscitado; quem é o crucificado; qual o significado da cruz; qual o significado da sua morte.
Jesus defendeu novos valores e estilos de vida, anunciou o reino de Deus, contou parábolas, fez milagres. Nasceu da virgindade de Maria e foi baptizado por João.
O mistério pascal é o momento revelador de Deus no seio da história humana, é a resposta ao sentido da vida, da história do homem e do universo.

Revelação e Fé: apontamentos II


Jesus de Nazaré como um Messias diferente
Profeta: alguém autorizado e enviado por Deus que profere e proclama a sua Palavra.
Era esperado um profeta singular, único, de tanta importância como o próprio Moisés. O perfil deste profeta vai-se identificando com a figura futura e enigmática do Messias Jesus. Em muitos aspectos identifica-se e aproxima-se dos anteriores profetas de Israel.
É tradicional porque anuncia a Palavra como os profetas do Antigo Testamento e vai dando sinais para anunciar a Palavra – gira em volta da Aliança Prometida e do reino de Deus esperado.
É inovador porque é o profeta que todos esperavam, Nele se realiza toda a Escritura.
Leva uma vida típica de um mestre e pregador itinerante, calcorreando a Palestina.
Onde está o espírito profético? Ainda há profetas?
Pelo baptismo todos somos profetas, temos como missão a responsabilidade da Palavra. Cada cristão é a boca de Deus no mundo e há uma enorme falta de consciência do que somos.

Jesus como Rei
A esperança num Messias concretizava-se na descendência de David, seria um seu descendente o rei de Israel (São Mateus, São Lucas – Genealogias de Jesus). Jesus atingiu importância logo no seu nascimento. Vieram os Magos prestar-lhe homenagem. Mas a realeza de Jesus manifesta-se diferente e oposta à realidade em geral – Jesus de Nazaré é um rei pobre, generoso, não violento, anunciador de misericórdia e da dignidade humana. Convive com a escória da humanidade, é um verdadeiro Rei mas um Rei diferente, não é um rei em competição com os reis deste mundo.
Os milagres de Jesus manifestam-No como Senhor e Rei da própria Natureza.
Pelo baptismo e confirmação todo o cristão participa da realeza de Jesus e é chamado a construir, pelo seu serviço, o reino de Deus na Terra, já iniciado em Jesus mas não consumado.

Jesus como sacerdote
Sacerdote é um membro da comunidade humana concreta que em nome e representação pública e oficial tem a seu cargo assegurar as relações com Deus.
O sacerdote representa a comunidade perante Deus e ao mesmo tempo entre Deus e os homens. A mediação é exercida através da oferta de dons a Deus e a distribuição ao homem dos dons de Deus.
Neste sentido, encontramos a instituição sacerdotal presente ao longo de toda a história de Israel. O que distingue o sacerdote é o sacrifício, a ação sagrada em nome da comunidade. O sacrifício implica o sacerdote, a vítima oferecida a Deus, o pão, o vinho e a própria oração de louvor. Tudo isto se verifica em Jesus Cristo.
O sacerdócio comum é dado pelo baptismo e pela confirmação de todos os que participam no sacerdócio de Jesus Cristo.
O sacerdócio ministerial é dado pelo sacramento da ordem.

A Boa Nova do Reino, mensagem de Jesus
O reino de Deus é o total domínio do amor, da justiça e da paz, é o início da renovação universal e da natureza, da história e do homem. É uma realidade profundamente divina e também humana, é uma resposta de Deus à interrogação, à busca e à situação do homem.
A Boa Nova trazida por Jesus é o Amor. É uma oferta gratuita o dom que Deus faz aos homens no seu filho Jesus, dom da nova vida, vida eterna e vida divina. Acolher a Boa Nova é acolher Jesus.

O Reino de Deus e o tempo
Jesus anunciou: o tempo chegou ao seu termo e o reino de Deus está próximo. O tempo tem valor definitivo e eterno. A vida terrena tem significado definitivo e eterno na Parousia – última vinda de Messias no fim do tempo humano. Somos o que fazemos ou seremos o que fizermos.
O Reino de Deus está em crescimento.

Revelação e Fé: apontamentos

Grandes momentos da Aliança de Deus com o povo de Israel



Antigo Testamento
Novo Testamento
Mediador
Abraão, Moisés, David
Jesus Cristo
Lei
Dez Mandamentos
Mandamento do Amor
Comunidade, povo
Israel
Igreja, Nova Israel
Sacrifício
Ceia pascal
Eucaristia
Vítima
Cordeiros, novilhos
Cordeiro de Deus
Libertação
da escravidão do Egito
da escravidão do pecado
Alimento
Maná
comunhão
Caminho
Deserto
Vida quotidiana
Sinal
Circuncisão
batismo
Termo
“terra prometida”
Casa do Pai, Céu

História da Igreja: Cristianismo nas Ilhas Britânicas


O Papa Gregório Magno, monge beneditino, (540-604), foi responsável pelo envio dos primeiros missionários para converter os anglo-saxões nas Ilhas Britânicas. Enviou um grupo de 40 monges beneditinos, liderados por Agostinho de Cantuária, que seria o primeiro arcebispo da Cantuária, na chamada Missão gregoriana.
Deixou extensa obra escrita, incluindo sermões e comentários sobre a Bíblia, como o livro Moralia, que comenta o livro de Jó, e volumes de correspondência.
Também foi responsável pela compilação dos sete pecados capitais - a soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça - adaptando para o Ocidente a partir das oito tentações descritas pelo monge Evágrio do Ponto, dois séculos antes.
A figura do abade tem grande peso na ordem beneditina, considerado o vigário de Cristo na Comunidade. Logo, a sua palavra tem que ser ouvida como se fosse a do próprio Deus. O abade vai ter na Regra beneditina um papel de consolador e encorajador, sobretudo relativamente aos que incorrem na pena de excomunhão por cauda da desobediência24. Aliás, esta ternura tão pouco habitual em regras anteriores, vai ser uma das principais características da Ordem, conferindo-lhe um sentido universal, destinada a todos os homens da Terra, misturando severidade e rigor com ternura, apoio e compreensão.
A Regra de São Bento ajudou a diluir a ideia defendida no início do séc. VI, e suportada por Santo Agostinho, segundo a qual era difícil que um bom monge se tornasse um bom clérigo. 
Com efeito, a Regra possibilitou a evolução e preparação dos monges, que inicialmente eram analfabetos na sua maioria, não tendo formação adequada para exercerem funções de presbíteros. A insistência numa vida em comunidade fechada - a estabilidade era um dos princípios bases da Regra-, produzia um tipo de monge mais civilizado que podia ser aproveitado para o clero secular após uma preparação adequada.
Quando São Bento faleceu, apenas três mosteiros abservavam as suas prescrições e trinta anos mais tarde o próprio mosteiro de Montecassino era destruído pelos Lombardos.
Ao ser eleito Papa, Gregório Grande, antigo monge beneditino, encarregou-se de propagar a Regra da sua Ordem tendo em mente dois objectivos bem definidos.
1. favorecer o monaquismo, na medida em que era melhor para a expansão do Cristianismo;
2. desenvolver uma legislação unificada sobre a qual poderia exercer maior controle.
No final do seu pontificado já uma grande rede de mosteiros beneditinos cobria a Europa, entre os quais se salientaram as abadias de Jarrow, Malmesbury e Westminster, na Inglaterra, bem como as fundações antigas reconvertidas de Lérins e Marmoutier.
Gradualmente, e com o grande incremento dado por Gregório o Grande, o ideal beneditino foi-se espalhando e alicerçando tendo absorvido até a Regra de Columba, na Irlanda.
A Península Ibérica foi também influenciada pela corrente monástica que então se vivia na Europa.
De imediato ressaltam dois nomes: São Martinho de Dume, que na segunda metade do séc. VI trouxe à Galécia a doutrina do Monaquismo Oriental; de São Frutuoso de Braga, monge visigodo propulsor de um movimento ascético que sobreviveu à invasão islâmica, tendo composto uma Regra para monges e que mais tarde originou uma Regra comum.
No reino visigodo cristão vários Padres Hispânicos elaboraram Regras. Entre eles, salientaram-se São Leandro, com uma Regra para Virgens, dedicada a sua irmã Florentina, e Santo Isidoro, cuja Regra se destinou ao mosteiro Honorianense, na Bética.
A vida monástica na Hispânia estava subordinada aos prelados diocesanos-bispos, que tinham o direito não só de escolher o abade dos mosteiros mas também o de corrigir os excessos cometidos contra a Regra.
Este facto demarcou o monaquismo da Espanha goda do ideal beneditino, que impunha que o abade fosse eleito pela Congregação tendo a partir desse momento papel soberano sobre toda a comunidade.
No que se refere à província da Lusitânia, um dos seus mosteiros mais antigos foi o do Lorvão, segundo Fortunato de Almeida28, sendo provável que a sua fundação date de meados do séc. VI e que, a par dos mosteiros de Dume e de São Martinho de Tibães, constitui um marco importante da vida monástica em território que posteriormente viria a ser Portugal.
Irlanda
Ainda está por explicar a rápida difusão do Cristianismo na Irlanda, cuja bandeira exibe um trevo, numa referência a São Patrício.
A corrente monástica nas Ilhas Britânicas e, em especial, na Irlanda revestiu-se de características muito próprias que a demarcaram relativamente a outras regiões.
Com efeito, quando o Cristianismo espalhava a sua influência em ambas as margens do Mediterrâneo, a Inglaterra encontrava-se ainda sob o domínio de Roma. A lenda e a tradição falam das viagens à Bretanha (hoje Grã-Bretanha) de Paulo, Filipe e José de Arimateia, bem como da fundação cristã em Glastonbury. Contudo, tudo isto não passa de uma mera hipótese, à qual se vem juntar a ideia de que até mesmo entre os romanos, que se encontravam na Bretanha durante o período de ocupação, alguns podiam ter ouvido e aceitado a mensagem do Cristianismo30. A primeira menção a cristãos na Grã-Bretanha aparece no Tratado contra os Judeus (202), de Tertuliano, no qual se faz referência a zonas da Bretanha inacessíveis aos Romanos, mas onde já vigoravam os ensinamentos de Cristo.
Em 314, por ocasião do Concílio de Arles, três bispos representaram a Bretanha, o que denota já um avanço considerável da Igreja numa base diocesana. Anos mais tarde, em 359, alguns bispos britânicos estiveram presentes num dos maiores concílios da Igreja - o de Rimini, ainda que com uma fraca representação.
Com excepção para Santo Albano, que no dizer do Venerável Bede, é o primeiro cristão digno de registo na Bretanha, é a partir do séc. V que passa a ser possível distinguir as grandes personalidades no processo de cristianização das Ilhas Britânicas, e em especial da Irlanda. São Patrício surge então como responsável pela chamada "conversão da Irlanda", sendo reconhecido como herói nacional. Considerada uma ilha bárbara, a Irlanda nunca se integrou no Orbis Romanus. São Jerónimo referia-se aos seus habitantes em termos pouco lisonjeiros e o espírito irlandês sempre se manifestou de um modo muito particular, envolto numa auréola de mistério e magia.
São Patrício (387 — 17 de março de 461) foi primeiramente um missionário cristão, sendo depois sagrado bispo e santo padroeiro da Irlanda, juntamente com Santa Brígida de Kildare e São Columba. É considerado o Apóstolo da Irlanda.
Quando tinha dezesseis anos foi capturado e vendido como escravo para a Irlanda, de onde escapou e retornou à casa de sua família seis anos mais tarde. Iniciou então sua vida religiosa e retornou para a ilha de onde tinha fugido para pregar o Evangelho. Converteu centenas de pessoas, muitas delas se tornaram monges. Para explicar como a Santíssima Trindade era três e um ao mesmo tempo utilizava o trevo de três folhas e por isso o mesmo tem papel importante na cultura Irlandesa. Foi incentivador do sacramento da confissão particular, tal como conhecemos hoje, visto que antes o mesmo era realizado de forma comunitária. Um século mais tarde essa prática se propagou para o restante da Europa.
São Patrício tornou-se o “druida de Deus” ao converter com êxito os chefes das tribos, conseguindo difundir o monaquismo.
À medida que São Patrício viajava, eram fundados novos mosteiros, alguns deles tão grandes que incluíam alguns milhares de monges que aí se recolhiam com o principal objectivo de se prepararem para aumentarem o seu grupo baptizando novos monges. É a época do monge missionário, traço característico do monge celta, que quer levar o Evangelho a toda a parte, fazendo da sua vida uma "peregrinação" por Cristo.
Evangelizadores como São Patrício imbuíram de espírito cristão a cultura dominante sem aniquilar a sua matriz cultural.

Fonte: apontamentos da aula e http://www.ipv.pt/millenium/15_arq1.htm