sábado, 17 de novembro de 2012

História da Igreja: Monaquismo


O Monaquismo é um sistema de vida de consagração à causa divina, que tenta chegar a Deus passando pelo recolhimento e uma vida de dedicação e interiorização.
A esta palavra associa-se uma outra - monge -, que deriva do grego monos, (único, só). Etimologicamente, designa aquele que vive solitário, dedicando a sua vida ao serviço de Deus, dedicação essa assumida livremente e que pressupõe o cumprimento das normas estabelecidas numa Regra, baseando-se sempre nos conceitos de castidade, pobreza e obediência.
Embora tenha assumido formas diferentes, o Monaquismo tem sido uma constante na vida de várias religiões, à partida completamente díspares (ex: Monaquismo Budista versus Monaquismo Cristão), revelando-se acima de tudo como "algo universal e inerente à condição dos fiéis que pretendem desenvolver a sua vida espiritual no sentido da perfeição".
Desde os primórdios da Cristandade que os ideais livremente assumidos de virgindade e castidade em louvor do Reino de Deus foram motivo de admiração. Essa escolha era feita "por fiéis de ambos os sexos que abraçaram uma vida de plena imitação de Cristo e que, para além dos votos referidos, praticavam a oração e a mortificação paralelamente com obras de misericórdia".

História da Igreja: Vida nos mosteiros e o mosteiro de Castro de Avelãs


No mosteiro a obediência pautava-se pela disciplina e pelo horário. Quando tocava para a oração, deixavam o que estivessem a fazer para rezar.
A ociosidade é inimiga da alma e, por isso, os monges devem ocupar-se de trabalhos manuais e de leitura espiritual, insistia-se no cultivo da sabedoria.
É preciso lembrar que inicialmente o cristianismo era um fenómeno sobretudo urbano e que, a partir do século IV, devido ao contexto histórico e político, multiplicaram-se as paróquias rurais.
Bragança e o mosteiro de Castro de Avelãs
As primeiras referências a um povoado (pagus), antepassado toponímico de Bragança, surgem nas actas do Concílio de Lugo (569 d. C.) sob a designação de Vergancia. Posteriormente, já na divisão administrativa de Wamba (666 d. C.) surge já uma referência a Bregancia. Salvaguarde-se, contudo, que esta referência pode não corresponder toalmente à verdade um vez que a cópia das actas a que se teve acesso é de elaboração posterior, podendo ter sido alvo de interpretação.
O domínio de suevos e visigodos, acerca dos quais tão pouco se sabe, veio contribuir para que se acentuasse a ruralização da economia. Com efeito, supõe-se que alguns traços da vida pastoril e comunitária desta região se ficam a dever à ocupação destes invasores.
Finalmente, o último povo invasor: os mouros, a quem a tradição popular tende a atribuir uma grande soma de vestígios. Como foram os últimos “intrusos” e como foi marcante o ambiente de prolongadas lutas e conflitos entre a civilização cristã e a muçulmana, a memória dos povos islâmicos permaneceu no imaginário popular. São diversas as lendas e tradições que lhes atribuem muito do que deixaram os povos anteriores, sobretudo os romanos. Ainda que a toponímia pareça acusar a sua influência (Alfaião, Babe, Baçal, Bagueixe, Mogadouro, etc.) não foram encontrados vestígios materiais dos mouros que permitam comprovar a sua presença. Note-se que a influência da civilização islâmica parece ter sido pouco marcante nas regiões a norte do Douro e ainda menos relevante nestas áreas montanhosas do interior.

Mesmo sem aceitar a tese do ermamento, é bem provável que o actual Trás-os-Montes, bem como toda a região do Nordeste, tenha experimentado, no início do domínio muçulmano, uma acentuada rarefacção do povoamento. Devido ao movimento da Reconquista a região de Bragança, integrada que estava no reino das Astúrias (ou de Leão, como passa a ser conhecido a partir do século X), acaba por sofrer a influência leonesa, traduzida em alterações ao nível da economia, da organização eclesiástica, da arquitectura, da cultura e, até, da própria língua, cujas influências perduraram até à actualidade. Senão, repare-se nos falares mirandês e guadramilês. 
 (informação retirada do site da Câmara Municipal de Bragança)

Para mais informação ver cópias fornecidas pelo professor durante a aula e relativas ao bispado de Bragança durante o governo dos suevos e godos, das Memórias Arqueológico-Históricas do distrito de Bragança, Tomo I; bem como o documento “organização eclesiástica do espaço”, de Ana Maria Jorge; e “o mosteiro beneditino de São Salvador de Castro de Avelãs no povoamento da região de Bragança”, de Carlos Prada de Oliveira.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

História da Igreja - Nova Europa em reconstrução

Santo Agostinho de Hipona foi muito ativo  na luta contra o Priscilianismo

Idácio de Chaves foi uma figura importante, bispo num território que pertenceu à diocese de Chaves. Foi no Oriente, em Belém, que conheceu São Jerónimo, e quando regressou lutou contra os bárbaros suevos que, supõe-se, dominariam a nossa zona geográfica. Outra das suas preocupações foi a luta contra as heresias na “Crónica”, nomeadamente contra o Priscilianismo.
O Priscilianismo desenvolveu-se a partir do século IV, nomeadamente na Península Ibérica. Negava a Santíssima Trindade e atribuía a Cristo uma aparência de corpo. Condenavam o matrimónio e a alimentação de carne. Negavam a criação do mundo e a ressurreição de Cristo. Consideravam a alma parte da divindade. Falsificavam as Escrituras e serviam-se de livros apócrifos. Admitiam o fatalismo astrológico.

Bento de Núrsia foi outra figura importante nesta reconstrução. Nascido em Núrsia, na Itália, em 480, a sua vida é conhecida através dos Diálogos do Papa São Gregório Magno.
Filho de proprietários rurais, segundo alguns, teria uma irmã gémea chamada Escolástica. São Bento passou a juventude a estudar em Roma, mas retirou-se da vida da cidade para ir viver para uma comunidade de ascetas. Durante esses anos de solidão, amadureceu as suas ideias e, pela sua conduta, ganhou o respeito de todos à sua volta.
De tal forma que a morte de um abade de um mosteiro das redondezas, que alguns dizem ser de Vicovaro, fez com que a respetiva comunidade escolhesse São Bento como seu abade. Conhecendo a vida e a disciplina do mosteiro e alegando que a sua maneira de viver não estava de acordo com estas, São Bento recusou inicialmente mas, perante a insistência, acabou por dar o seu consentimento. A experiência falhou porque os frades não estavam habituados à maneira dura de viver do santo e tentaram envenená-lo, voltando São Bento para a sua gruta. Os seus milagres tornaram-se frequentes, a partir de então, e muitas pessoas atraídas pela sua santidade vieram viver para Subiaco. Fundou uma comunidade de monges distribuída por doze pequenos mosteiros, em cada um dos quais havia um monge superior e doze monges, mantendo-se o santo abade de todos eles. Nestes mosteiros começaram a funcionar escolas para crianças onde estudaram Mauro e Plácido. Em 529, transferiu-se com os seus monges para o Monte Cassino, onde escreveu a sua famosa Regra e atraiu muitos discípulos e simples fiéis até à data da sua morte com a sua santidade, a sua sabedoria e os seus milagres. Monte Cassino foi fundado no lugar de um antigo templo pagão dedicado a Apolo e São Bento juntou a sua comunidade num único edifício. Ao contrário de Subiaco, Monte Cassino era situado num distrito populoso, com várias dioceses e mosteiros, o que proporcionava o convívio e a visita de prelados, nobres e das restantes classes sociais, tornando-se o refúgio e a proteção dos pobres. Escolástica, a irmã de São Bento, visitava-o uma vez por ano e faleceu numa das visitas tendo vindo a ser enterrada no túmulo que São Bento tinha preparado para si próprio, em Monte Cassino, e onde também veio a ser enterrado. O corpo de São Bento foi trasladado para Fleury, em 693, tendo mais tarde o Papa Zacarias mandado trazer uma parte das suas relíquias para o Monte Cassino. São Bento era conhecido pela sua grande simpatia, carinho e por uma grande capacidade de sacrifício e dedicação à sua comunidade. A Regra de São Bento, escrita em latim vulgar, tem como fontes a Sagrada Escritura, os santos Pacómio, Basílio, Leão Magno, Jerónimo e Agostinho, entre outros. Foi redigida para os cenobitas e é atualmente seguida por Beneditinos, Cistercienses, Camáldulos e outros, tendo sido traduzida em Portugal pela primeira vez em Alcobaça, no século IV. Segundo alguns estudiosos, a Regra de S. Bento foi escrita para leigos, para que estes observassem uma vida o mais próxima possível do Evangelho, e não para clérigos, já que a intenção de S. Bento não era constituir uma ordem ou uma regra para clérigos. Com a imposição por parte da Igreja do estado de clericanismo aos Beneditinos, foi levada a cabo a consequente imposição dos deveres clérigos e sacerdotais. No entanto, as características de leigos permaneceram e distinguem a ordem das restantes. Uma das características da ordem é o trabalho como meio de se atingir o bem e chegar a Deus, a outra é o carácter social da ordem e do seu sentido de comunidade vivendo para o bem dos outros. Seguindo um ideal de pobreza, este é muito diferente do ideal de pobreza defendido por São Francisco de Assis, já que admite alguns poucos bens pessoais e bens da comunidade que podem ser muitos mas devem sempre ser utilizados para benefício do próximo.
São Bento de Núrsia. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-11-17].

Regra de S. Bento
Trata-se de um texto escrito por S. Bento (c. 480 - c. 547) no fim da sua vida, composto a partir de 530. Hoje, admite-se que Bento de Núrsia utilizou uma regra anónima ligeiramente anterior, a Regula Magistri (ou "Regra do Mestre"), cuja redação se deve situar entre 500 e 530.
"Monumento de vastas proporções, de arquitetura sólida", a Regra de S. Bento coloca um abade à cabeça de cada mosteiro (abade deriva do siríaco apa, pai, cuja helenização deu abbas, assim passando ao latim). Se a "Regra do Mestre" determina que o abade deve ser designado pelo predecessor, a Regra de S. Bento prevê a sua eleição pela comunidade, à cabeça da qual será colocado. O abade, segundo S. Bento, deverá amar os seus monges como seus filhos e fazer-se amar por eles.
Rigorosa e exigente no que concerne à disciplina e ao respeito, estrita quanto ao cumprimento do ofício divino, esta Regra distingue-se, todavia, pelo seu carácter humano, fonte de misericórdia e de harmonia. Introduz, igualmente, uma mudança decisiva: as comunidades monásticas, até então a maior parte delas laicas, são a partir de S. Bento compostas de sacerdotes e irmãos leigos.
Nascida das experiências quotidianas da vida comunitária, não seguindo um plano lógico estrito, mas distinguindo-se por um sentido de precisão que atinge os mais pequenos detalhes, serviu de base a todas as regras e textos normativos posteriores.
A princípio com limitada influência, a Regra começou a ser largamente difundida na época carolíngia, com Bento de Aniana, graças à autoridade na Igreja de Gregório, "o Grande", que confere um lugar de destaque a S. Bento e à sua época. Torna-se mesmo, na época românica, o documento fundamental da vida monástica, servindo de modelo a um grande número de novas ordens que a adotam ou nela se inspiram. A ação dos beneditinos (como dos cistercienses, também seguidores da Regra de S. Bento) alterará profundamente a Europa Ocidental e medieval em todos os seus domínios, fazendo com que S. Bento seja considerado o "Pai da Europa", o fundador do ideal europeu. Por outro lado, a Regra de S. Bento unificará e revitalizará o monaquismo ocidental, visto estar melhor adaptada aos novos tempos e aos monges da Europa Atlântica.
Em Portugal, entra com carácter definitivo e de forma clara depois do Concílio Coiança (Castela), em 1020.
A Regra de S. Bento foi o melhor sustentáculo da Igreja Medieval primitiva. Rompendo com o ascetismo intransigente do monaquismo oriental, instituiu uma vida comunitária rigorosa, mas razoável e equilibrada. Os seus vetores fundamentais são a humildade, a pobreza, a obediência ao Padre Abade e o respeito pela liturgia. Seis séculos depois da morte de S. Bento ainda não existia outra regra monástica no Ocidente. Tinha já fornecido 20 papas e inúmeros missionários. O ensino nas abadias beneditinas nos períodos agitados era o único sistema de formação de homens cultos e de administradores, cada vez mais confrontados com formas de governos mais complexas.
Esta Regra ainda hoje se mantém viva em milhares de mosteiros no mundo inteiro.
Regra de S. Bento. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-11-17].
  

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Reflexão

Um texto interessante retirado daqui:



Durante séculos, estudantes das Escrituras têm debatido se é possível obter o verdadeiro conhecimento de Deus a partir de um mundo natural e por meio do raciocínio lógico. Pela reflexão racional, os antigos filósofos gregos chegaram à conclusão de que havia uma razão universal (gr. logos), que eles chamaram de Deus (gr. theos). Essa reflexão filosófica sobre Deus recebeu o nome de Teologia (gr. Theologia), o conhecimento racional sobre Deus.
Também foi chamada de teologia natural para distinguí-la da teologia mítica, o conhecimento dos deuses. Embora essa mitologia natural levasse os filósofos gregos a adotar uma atitude crítica para com sua antiga mitologia, não os fez abandonar o politeísmo para adorar um único e verdadeiro Deus.
O apóstolo Paulo nunca utiliza a palavra “teologia”. Apesar disso, seus escritos dão evidência não só de que ele conhecia pessoalmente a teologia natural dos gregos, mas também de que estava convencido da insuficiência dela em levar pessoas ao conhecimento salvífico de Deus. O apóstolo afirma que “os gregos buscam sabedoria”, mas insiste na ineficácia desta sabedoria, pois “o mundo não O conheceu [a Deus] por sua própria sabedoria” (1Co 1:22, 21).
Paulo acreditava que a criação revela Deus, mas também que o conhecimento de Deus que ela manifesta não consegue ser apreendido por mentes humanas obscurecidas pela descrença, dúvida, culpa e ignorância (Rm 1:19-21). A sabedoria obtida a partir das obras de Deus pelos não iluminados com a luz do Espírito de Deus leva-os invariavelmente à idolatria, ao invés de à adoração do Deus verdadeiro.
O apóstolo chama a atenção para o fato de que os seres humanos “mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador” (v. 25). O resultado final foi a idolatria degradante, a imoralidade repulsiva e a hedionda criminalidade (v. 22-32; cf. Ef 4:17-19).


“Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis. Por isso Deus os entregou à impureza sexual, segundo os desejos pecaminosos dos seus corações, para a degradação dos seus corpos entre si. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém. 
Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão. Além do mais, visto que desprezaram o conhecimento de Deus, ele os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem o que não deviam. Tornaram-se cheios de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia. São bisbilhoteiros, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes e presunçosos; inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais; são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis. Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam” (Rm 1:20-32).
Os escritores bíblicos frequentemente se referem aos fenômenos da natureza como uma revelação de Deus e de Seus atributos. Todos os aspectos do Universo em que vivemos são manifestações da glória e da sabedoria divina. Diversos salmos se referem a Deus como o Criador do céu e da terra, mantenedor constante de todas as Suas obras e provedor das necessidades de todas criaturas vivas, inclusive Seus filhos humanos (Sl 8:1-4; 19:1-6; 33:1-9; 104:1-35; 136:1-9).

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS DE DEUS ATRAVÉS DO MUNDO NATURAL

Categoria
Descrição
MATÉRIA
Por que a matéria é organizada em partículas subatômicas seguindo leis que permitem formar mais de 100 elementos que fornecem matéria para o Universo, bem como átomos, moléculas e mudanças químicas necessárias à vida? A matéria poderia ser caótica, sem leis. Leis sugerem um plano inteligente. Por que a massa dessas partículas subatômicas é muitas vezes exatamente a necessária, com a precisão de apenas uma parte em mil?
FORÇAS
A área de ação e o valor muito exato das quatro forças básicas na física são os corretos para permitir um Universo adequado à existência de vida. A força da gravidade, em relação com a eletromagnética, precisa ser extremamente exata, ou o Sol não proporcionaria à Terra a quantidade certa de calor que necessitamos. Essa precisão sugere um planejamento da parte de Deus.
VIDA
Os mais simples organismos vivos são tão intrincados e complexos que não parece ser possível sua origem sem planejamento inteligente. Complexidades incluem DNA, proteínas, ribossomos, trilhas bioquímicas, código genético e a capacidade de reproduzir tudo isso, incluindo um sistema de leitura e correção para duplicar o DNA.
ÓRGAOS
Em todos organismos encontramos sistemas com complexidade irredutível. Esses têm partes interdependentes que não funcionam enquanto todas as partes necessárias não estão presentes. Exemplos: mecanismo de autofoco e autoexposição do olho, bem como nosso intrincado cérebro, etc. As partes individuais inúteis desses sistemas não sobreviveriam evolutivamente e, por isso, requereriam o planejamento de um idealizador.
TEMPO
As supostas longuíssimas eras da Terra e do Universo são curtas demais para acomodar os improváveis eventos imaginados pela evolução. Cálculos indicam que os cinco bilhões de anos da Terra são bilhões de vezes curtos demais para a média do tempo exigido para produzir uma única molécula específica de proteína ao acaso. Deus parece necessário.
FÓSSEIS
Durante a maior parte do tempo da evolução, virtualmente nada ocorre. Então, de repente, perto do final, e durante menos de 2% desse tempo de evolução, aparece a maioria dos fósseis de animais naquilo que se chama de explosão cambriana. Ademais, não se encontra nenhum ancestral significativo desses filos. Muitos outros grandes grupos também aparecem de repente, como se tivessem sido criados. Os evolucionistas sugerem alguns poucos intermediários, mas, se a evolução tivesse mesmo ocorrido, o registro fóssil estaria cheio de todo tipo de intermediários tentando evoluir.
MENTE
A mente possui características que a ciência tem grande dificuldade para analisar. Assim, ela aponta para uma realidade além no nível naturalista, na direção de um Deus transcendente. Nosso livre-arbítrio, se realmente livre, como a maioria concorda, está acima dos princípios científicos normais de causa e efeito. Outros fatores incluem nossa consciência, a saber, a percepção de que existimos, e a sensação de que a realidade tem sentido. Também possuímos o senso do bem e do mal, o amor e o interesse pelos outros. Na matéria comum, não encontraremos essas características mais elevadas da mente.

Esses salmos de louvor para a comunidade da fé mostram que as obras da criação constituem-se numa revelação da majestade de Deus e de Seus amoroso cuidado. Muitas outras porções do Antigo Testamento, especialmente em Jó e Isaías, transmitem a mesma mensagem. As perguntas desafiadoras de Isaías 40:12-31 apontam para um Criador e Senhor onipotente, não obstante bondoso.
Jesus frequentemente dirigia a atenção de Seus ouvintes para as coisas da natureza, a fim de ilustrar verdades espirituais. As aves do céu e os lírios do campo demonstram o cuidado de Deus por Suas criações mais humildes, e Jesus indaga: “Não valeis vós muito mais do que as aves?” (Mt 6:26). Deus faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos (Mt 5:44). Outras lições da natureza incluem a árvore boa que produz bons frutos e a árvore má que produz frutos maus – os falsos profetas (Mt 7:15-20). Em harmonia com Gênesis 3, Jesus ensina que a natureza revela o conhecimento do bem e do mal.
Os fenômenos da natureza, porém, nos dão um quadro ambivalente do bem e do mal. Além disso, como consequência do pecado, a natureza às vezes age como instrumento do castigo divino. De acordo com a Bíblia, a natureza mostra a glória, a sabedoria e o cuidado divinos. Por outro lado, na decadência, doença, desastre e morte tão prevalecentes neste mundo de pecado, a natureza também expõe as consequências da queda. Manifesta diariamente o cuidado de Deus, mas também apresenta claramento os castigos divinos sobre o pecado humano. É preciso ter em mente ambos os aspectos para entender a questão da teologia natural.
A evidência bíblica sugere que só se pode obter um conhecimento verdadeiro de Deus a partir da criação e da providência quando, sensibilizados pela misericordiosa obra do Espírito Santo, a mente humana é transformada e a percepção espiritual, despertada.

Referências:


  • Ariel A. Roth. A ciência descobre Deus: evidências convincentes que o Criador existe. Casa Publicadora Brasileira. 2010, p. 249.
  • Peter M. van Bemmelen. Revelação e inspiração. in: Tratado de teologia adventista do sétimo dia. Casa Publicadora Brasileira, Tatui/SP. 2011, p. 30-35.

Revelação e Fé - revelação natural e revelação em Jesus


Revelação Natural e Revelação em Jesus Cristo, apontamentos de Revelação e Fé
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O homem tem um conhecimento natural de Deus. A partir dos vários aspectos da Criação, do Finito, obra de Deus, o Homem, pela sua inteligência, pela razão, tem um conhecimento natural de Deus como Fundamento do Ser, diferente do finito.
O Homem anseia a revelação de Deus. Todos os dias há uma procura de Deus.
A fé tem razões, supõe conhecimento, não contradiz a razão. A fé, resposta à Revelação, é mais do que aquilo que a razão pode alcançar sozinha. A fé supera a razão, integra a razão.

Revelação e Fé: termos e conceitos


Razão: define o ser humano. Permite chegar a conclusões a partir de premissas. Os filósofos racionalistas opõem a razão à imaginação. Conhecimento humano que reflecte os problemas do Homem, do Universo e de Deus, prescindindo da Revelação e da Fé. É aquilo que o espírito humano “sozinho”, isto é, sem a ajuda da Revelação, pode alcançar.

Religião: conjunto de crenças e convicções referidas a Deus ou “deuses” e forças superiores ao Homem, partilhadas por uma comunidade humana e ligadas a práticas, ritos e tradições.

Moral: conjunto de normas e sistema de valores, implica prática ética.

Revelação: consiste em fazer participar, pela graça do Espírito Santo, todos os homens na vida divina, como filhos adoptivos no Seu único Filho, Jesus Cristo. A revelação é plenamente realizada e completada em Jesus Cristo.

Fé: é uma atitude humana de confiança, de entrega, de afectividade, é uma maneira de viver para além do conhecimento intelectual.

Bíblia: Livro Sagrado composto pelo Antigo Testamento e Novo Testamento. O Antigo Testamento é a sua primeira parte e trata da relação de Deus com o povo israelita. O Novo Testamento foi escrito após a morte de Jesus Cristo, narra a vida Dele e o desenvolvimento da nova comunidade por Ele fundada.

Tradição: para os católicos, a Palavra de Deus está contida não só nas Escrituras, mas também nos ensinamentos de Jesus Cristo e dos Apóstolos, ensinamentos que a comunidade cristã tem transmitido oralmente, de geração em geração e na vida da própria comunidade.

Mistério: Trinitário (Pai, Filho e Espírito Santo); Cristológico (nascimento, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo).

Apontamentos de História da Igreja

São Pedro e São Paulo
A expansão e consolidação do Cristianismo encontrou forte oposição nos três primeiros séculos da sua história. O Cristianismo exigia a adesão pessoal e interior a Jesus Cristo, mas não apareceu como uma religião para um povo, antes como uma fé para todos, a levar por toda a parte, a unir todos os povos. No início do século I, os cristãos eram segregados e perseguidos, vítimas de calúnias, eram acusados de magia, incesto, infanticídio ritual.
O fogo que consumiu Roma, em 64, (imperador Nero), despoletou a perseguição dos cristãos e a morte dos discípulos romanos de Cristo, que seriam queimados no circo. São Paulo e São Pedro seriam vítimas e a perseguição alastrou-se para além de Roma.
O incentivo ao culto imperial (imperador Domiciano), na mesma época, valeu aos cristãos a punição do Império. São João exila-se em Patmos. Com Trajano foram martirizados Simão, bispo de Jerusalém, e Santo Inácio. Os cristãos eram punidos através da legislação geral por recusarem o culto do imperador e dos deuses tradicionais. É desta altura a carta do jovem Plínio a imperador Trajano.

Encontro com o Gnosticismo

A palavra em grego deriva do conhecimento. É um conjunto de correntes filosófico-religiosas que dizia que o conhecimento superior e profundo do mundo e do homem dava sentido à vida. Apresentava-se como um conhecimento intelectual e não como uma adesão espiritual ou de fé, porque aderimos a Cristo pela fé.
Os gnósticos colocavam a razão no conhecimento que tinham adquirido em círculos fechados e de forma oculta. Eram um perigo para a Igreja porque a partir do conhecimento que tinham interpretavam as Sagradas Escrituras à sua maneira. Uma das suas características é a compreensão dualista: o corpo é mau, o espírito é bom; e é uma das contradições com a fé cristã pois Cristo encarnou e tornou-Se nossa carne para a salvar.
Irineu, bispo de Lião, vai lutar contra as heresias
É isso que Irineu, bispo de Lião, vai refutar no livro “Contra as Heresias”. Irineu pedia a adesão total a Cristo.
O Gnosticismo foi um perigo maior que as autoridades do Império.

Os vários imperadores (Marco Aurélio, Séptimo Severo, Maximino) perseguiram o Cristianismo, editando leis que impedissem o seu crescimento e fazendo muitas vítimas entre os catecúmenos e os neófitos.

Catecumenato:é o tempo ou instituição que no quadro da iniciação cristã se destinava a ajudar os recém-convertidos de uma fé inicial a uma fé adulta. Destina-se a todos os que passaram a ser cristãos. Até à eleição eram acompanhados e depois continuavam a ser acompanhados por padrinhos ou madrinhas. Vive-se muito hoje, em França, país que sofreu uma grande crise de fé. Nas nossas igrejas, crianças já com alguma idade têm de obedecer ao catecumenato para serem baptizadas.
O que se vincava era a tradição dos ensinamentos de Jesus Cristo, a catequese mistagógica, ou seja, de introdução ao mistério de Cristo.

Embora com alguns períodos de acalmia, todos os imperadores, de Décio a Diocleciano, perseguiram os cristãos. Publicaram-se éditos que condenavam à morte os membros da hierarquia que persistissem na fé. As celebrações ocorriam nas catacumbas. Foi aí que o Papa Sisto II e quatro diáconos foram mortos, surpreendidos na celebração da Eucaristia.

As acusações contra o Cristianismo surgiam de três origens:

  •          Meios populares
  •          Judaísmo
  •          Intelectuais pagãos

Os Apologistas (século II) atacavam os vícios pagãos contrapondo com a virtude cristã; aos judeus tentavam mostrar a união entre o Antigo e o Novo Testamento; e aos intelectuais pagãos explicavam a “semente do Verbo”, as sementes que Jesus semeia em que procuram de coração sincero a Verdade.

No século III, a Igreja atingiu uma ampla expansão e atingiu os meios cultos. Filósofos como Clemente de Alexandria e Orígenes serviram o estudo da Palavra de Deus. A formação jurídica de Tertuliano levou-o a defender adequadamente a doutrina cristã. 
Os Apóstolos e os seus colaboradores tinham fundado um número considerável de Igrejas locais, de Jerusalém a Roma, onde lhes sucederam, depois, os bispos. A Igreja estava bastante bem estruturada e havia muita união na relação com as comunidades. 
Sob esta herança, foi possível aos Concílios Ecuménicos dos séculos IV e V fixarem o sentido e acertarem a expressão comum das certezas cristãs.
  •     325 Niceia, imperador convoca Concílio para debater a questão de Cristo ser ou não consubstancial ao Pai
  •  Constantinopla – questão da divindade do Espírito Santo
  •   431 Éfesio – interrogações sobre a divindade da maternidade de Maria, mãe de Deus
  • 451 Calcedónia – luta contra o monofisismo que dizia que Cristo tinha apenas uma natureza, em que a humanidade tinha absorvido a divindade (considerada uma heresia)

Grandes Igrejas: Roma, Constantinopla, Antioquia, Alexandria, Jerusalém, a que se juntaram outras. Foi um período áureo dos bispos e da Igreja, embora, nos inícios da Igreja, alguns bispos e padres tenham caído em heresias (arianismo, monofisismo).

História da Igreja: Carta do jovem Plínio a Trajano


Tenho por praxe, Senhor, consultar Vossa Majestade nas questões duvidosas. Quem melhor dirigirá minha incerteza e instruirá minha ignorância? Nunca presenciei nenhum julgamento de cristãos. Por isso ignoro as penalidades e investigações costumeiras, bem como as pautas em uso. Tenho muitas dúvidas a respeito de certas questões, tais como: estabelecem-se diferenças e distinções de acordo com a idade? Cabe o mesmo tratamento a enfermos e robustos? Aqueles que se retratam devem ser perdoados? A quem sempre foi cristão, compete gratificar quando deixa de sê-lo? Há de punir-se o simples fato de alguém ser cristão, mesmo que inocente de qualquer crime, o exclusivamente os delitos praticados sob esse nome?
Entretanto, eis o procedimento que adotei nos casos que me foram submetidos sob acusação de cristianismo. Aos incriminados pergunto se são cristãos. Na afirmativa, repito a pergunta segunda e terceira vez, ameaçando condená-los à pena capital. Se persistirem, condeno-os à morte. Não duvido que, seja qual for o crime que confessem, sua pertinácia e obstinação inflexíveis devem ser punidas. Alguns apresentam indícios de loucura; tratando-se de cidadãos romanos, separo-os para enviá-los a Roma.
Mas o que geralmente se dá é o seguinte: o simples fato de julgar essas causas confere enorme divulgação às acusações, de modo que meu tribunal está inundado com uma grande variedade de casos. Recebi uma lista anónima com muitos nomes. Os que negaram ser cristãos, considerei-os merecedores de absolvição. De fato, sob minha pressão, devotaram-se aos deuses e reverenciaram com incenso e libações vossa imagem colocada, para este propósito, ao lado das estátuas dos deuses, e, pormenor particular, amaldiçoaram a Cristo, coisa que um genuíno cristão jamais aceita fazer. Outros inculpados da lista anónima começaram declarando-se cristãos e, logo, negaram sê-lo, declarando ter professado esta religião durante algum tempo e renunciando a ela há três ou mais anos; alguns a tinham abandonado há mais de vinte anos. Todos veneraram vossa imagem e as estátuas dos deuses, amaldiçoando a Cristo. Foram unânimes em reconhecer que sua culpa se reduzia apenas a isso: em determinados dias, costumavam comer antes da alvorada e rezar responsivamente hinos a Cristo, como a um deus; obrigavam-se por juramento não a algum crime, mas à abstenção de roubos, rapinas, adultérios, perjúrios e sonegação de depósitos reclamados pelos donos. Concluído este rito, costumavam distribuir e comer seu alimento. Este, aliás, era um alimento comum e inofensivo. Eles deixaram essas práticas depois do edito que promulguei, de conformidade com vossas instruções, proibindo as sociedades secretas. Julguei ser mais importante descobrir o que havia de verdade nessas declarações através da tortura a duas moças, chamadas diaconisas, mas nada achei senão superstição baixa e extravagante. Suspendi, portanto, minhas observações na espera do vosso parecer. Creio que o assunto justifica minha consulta, mormente tendo em vista o grande número de vítimas em perigo. Muita gente, de todas as idades e de ambos os sexos, corre o risco de ser denunciada e o mal não terá como parar. Esta superstição contagiou não apenas as cidades, mas as aldeias e até as estâncias rurais. Contudo, o mal ainda pode ser contido e vencido. Sem dúvida os templos que estavam quase desertos são novamente freqüentados; os ritos sagrados há muito negligenciados, celebram-se de novo; vítimas para sacrifícios estão sendo vendidas por toda a parte, ao passo que, até recentemente, raramente um comprador era encontrado. Esses indícios permitem esperar que legiões de homens sejam susceptíveis de emenda, desde que tenham a oportunidade de se retratar.

Esta carta, do início do século II, descreve o tratamento dado aos cristãos e o motivo da sua perseguição: a fé em Cristo. É interessante como Plínio destaca a fidelidade dos verdadeiros cristãos – “amaldiçoaram a Cristo, coisa que um genuíno cristão jamais aceita fazer”.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Revelação e Fé: À procura de Deus

Um excelente documentário aconselhado na disciplina de Revelação e Fé pelo Pe. Júlio Gomes. Transmitido pelo canal História, 1ºepisódio.

Haverá uma beleza que nos salve?

"Haverá uma beleza que nos salve", foi o título da oração de sapiência que o Pe. José Tolentino Mendonça proferiu na sessão solene de abertura do ano letivo do Instituto Diocesano de Estudos Pastorais, que ocorreu no dia 1 de Outubro, em Bragança.
O Pe. Tolentino de Mendonça abordou o Evangelho da Beleza e o conceito de beleza, um dos mais esquecidos pela cultura teológica ocidental. Pela beleza e pela arte percebemos que a vida é mais do que uma luta pela sobrevivência. É a beleza que permite ao homem estabelecer uma relação com Deus a partir de uma experiência espiritual que o transforma.





Instituto Diocesano de Estudos Pastorais em funcionamento na diocese de Bragança

Já está em pleno funcionamento o Instituto Diocesano de Estudos Pastorais (IDEP), escola teológica da diocese de Bragança-Miranda. Um sonho antigo que o bispo D. José Cordeiro impulsionou com o objetivo de "aprofundar a fé a partir da ciência teológica, da pastoral, da espiritualidade, de todas as dimensões que contemplam a vida de uma Igreja".
O IDEP esteve inativo cerca de uma década e ressurge agora pela mão de D. José Cordeiro como uma "janela de esperança na evangelização do Nordeste Transmontano", para que os leigos "tomem cada vez mais consciência do seu lugar e da sua missão" na Igreja.

A oferta formativa é de três anos, com a possibilidade de inscrição "ad hoc" em diferentes disciplinas.
As aulas decorrem duas vezes por semana, numa sala do Paço Episcopal, em Bragança, e compreende, neste primeiro semestre, a seguinte estrutura curricular: Introdução à Liturgia; História da Igreja e da Diocese; Revelação e Fé; Pastoral; e Introdução à Sagrada Escritura.
O primeiro ano, com aproveitamento, capacita para os serviços de Leitores e Salmistas. O segundo ano para os serviços e ministérios de Ministros Extraordinários da Comunhão, Acólitos, Catequistas e professores de Educação Moral, Religiosa e Católica (EMRC). No terceiro ano, o curso dá a qualificação para o exercício de Ministros da Palavra e Diáconos Permanentes, num ano que integra, também, os seminaristas do 6ºano pastoral.
A direção do IDEP, a cargo do Pe. José Carlos Martins, está já a trabalhar parcerias e filiações com outras instituições académicas para a certificação da formação.