terça-feira, 6 de novembro de 2012

Reflexão

Um texto interessante retirado daqui:



Durante séculos, estudantes das Escrituras têm debatido se é possível obter o verdadeiro conhecimento de Deus a partir de um mundo natural e por meio do raciocínio lógico. Pela reflexão racional, os antigos filósofos gregos chegaram à conclusão de que havia uma razão universal (gr. logos), que eles chamaram de Deus (gr. theos). Essa reflexão filosófica sobre Deus recebeu o nome de Teologia (gr. Theologia), o conhecimento racional sobre Deus.
Também foi chamada de teologia natural para distinguí-la da teologia mítica, o conhecimento dos deuses. Embora essa mitologia natural levasse os filósofos gregos a adotar uma atitude crítica para com sua antiga mitologia, não os fez abandonar o politeísmo para adorar um único e verdadeiro Deus.
O apóstolo Paulo nunca utiliza a palavra “teologia”. Apesar disso, seus escritos dão evidência não só de que ele conhecia pessoalmente a teologia natural dos gregos, mas também de que estava convencido da insuficiência dela em levar pessoas ao conhecimento salvífico de Deus. O apóstolo afirma que “os gregos buscam sabedoria”, mas insiste na ineficácia desta sabedoria, pois “o mundo não O conheceu [a Deus] por sua própria sabedoria” (1Co 1:22, 21).
Paulo acreditava que a criação revela Deus, mas também que o conhecimento de Deus que ela manifesta não consegue ser apreendido por mentes humanas obscurecidas pela descrença, dúvida, culpa e ignorância (Rm 1:19-21). A sabedoria obtida a partir das obras de Deus pelos não iluminados com a luz do Espírito de Deus leva-os invariavelmente à idolatria, ao invés de à adoração do Deus verdadeiro.
O apóstolo chama a atenção para o fato de que os seres humanos “mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador” (v. 25). O resultado final foi a idolatria degradante, a imoralidade repulsiva e a hedionda criminalidade (v. 22-32; cf. Ef 4:17-19).


“Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis. Por isso Deus os entregou à impureza sexual, segundo os desejos pecaminosos dos seus corações, para a degradação dos seus corpos entre si. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém. 
Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão. Além do mais, visto que desprezaram o conhecimento de Deus, ele os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem o que não deviam. Tornaram-se cheios de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia. São bisbilhoteiros, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes e presunçosos; inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais; são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis. Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam” (Rm 1:20-32).
Os escritores bíblicos frequentemente se referem aos fenômenos da natureza como uma revelação de Deus e de Seus atributos. Todos os aspectos do Universo em que vivemos são manifestações da glória e da sabedoria divina. Diversos salmos se referem a Deus como o Criador do céu e da terra, mantenedor constante de todas as Suas obras e provedor das necessidades de todas criaturas vivas, inclusive Seus filhos humanos (Sl 8:1-4; 19:1-6; 33:1-9; 104:1-35; 136:1-9).

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS DE DEUS ATRAVÉS DO MUNDO NATURAL

Categoria
Descrição
MATÉRIA
Por que a matéria é organizada em partículas subatômicas seguindo leis que permitem formar mais de 100 elementos que fornecem matéria para o Universo, bem como átomos, moléculas e mudanças químicas necessárias à vida? A matéria poderia ser caótica, sem leis. Leis sugerem um plano inteligente. Por que a massa dessas partículas subatômicas é muitas vezes exatamente a necessária, com a precisão de apenas uma parte em mil?
FORÇAS
A área de ação e o valor muito exato das quatro forças básicas na física são os corretos para permitir um Universo adequado à existência de vida. A força da gravidade, em relação com a eletromagnética, precisa ser extremamente exata, ou o Sol não proporcionaria à Terra a quantidade certa de calor que necessitamos. Essa precisão sugere um planejamento da parte de Deus.
VIDA
Os mais simples organismos vivos são tão intrincados e complexos que não parece ser possível sua origem sem planejamento inteligente. Complexidades incluem DNA, proteínas, ribossomos, trilhas bioquímicas, código genético e a capacidade de reproduzir tudo isso, incluindo um sistema de leitura e correção para duplicar o DNA.
ÓRGAOS
Em todos organismos encontramos sistemas com complexidade irredutível. Esses têm partes interdependentes que não funcionam enquanto todas as partes necessárias não estão presentes. Exemplos: mecanismo de autofoco e autoexposição do olho, bem como nosso intrincado cérebro, etc. As partes individuais inúteis desses sistemas não sobreviveriam evolutivamente e, por isso, requereriam o planejamento de um idealizador.
TEMPO
As supostas longuíssimas eras da Terra e do Universo são curtas demais para acomodar os improváveis eventos imaginados pela evolução. Cálculos indicam que os cinco bilhões de anos da Terra são bilhões de vezes curtos demais para a média do tempo exigido para produzir uma única molécula específica de proteína ao acaso. Deus parece necessário.
FÓSSEIS
Durante a maior parte do tempo da evolução, virtualmente nada ocorre. Então, de repente, perto do final, e durante menos de 2% desse tempo de evolução, aparece a maioria dos fósseis de animais naquilo que se chama de explosão cambriana. Ademais, não se encontra nenhum ancestral significativo desses filos. Muitos outros grandes grupos também aparecem de repente, como se tivessem sido criados. Os evolucionistas sugerem alguns poucos intermediários, mas, se a evolução tivesse mesmo ocorrido, o registro fóssil estaria cheio de todo tipo de intermediários tentando evoluir.
MENTE
A mente possui características que a ciência tem grande dificuldade para analisar. Assim, ela aponta para uma realidade além no nível naturalista, na direção de um Deus transcendente. Nosso livre-arbítrio, se realmente livre, como a maioria concorda, está acima dos princípios científicos normais de causa e efeito. Outros fatores incluem nossa consciência, a saber, a percepção de que existimos, e a sensação de que a realidade tem sentido. Também possuímos o senso do bem e do mal, o amor e o interesse pelos outros. Na matéria comum, não encontraremos essas características mais elevadas da mente.

Esses salmos de louvor para a comunidade da fé mostram que as obras da criação constituem-se numa revelação da majestade de Deus e de Seus amoroso cuidado. Muitas outras porções do Antigo Testamento, especialmente em Jó e Isaías, transmitem a mesma mensagem. As perguntas desafiadoras de Isaías 40:12-31 apontam para um Criador e Senhor onipotente, não obstante bondoso.
Jesus frequentemente dirigia a atenção de Seus ouvintes para as coisas da natureza, a fim de ilustrar verdades espirituais. As aves do céu e os lírios do campo demonstram o cuidado de Deus por Suas criações mais humildes, e Jesus indaga: “Não valeis vós muito mais do que as aves?” (Mt 6:26). Deus faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos (Mt 5:44). Outras lições da natureza incluem a árvore boa que produz bons frutos e a árvore má que produz frutos maus – os falsos profetas (Mt 7:15-20). Em harmonia com Gênesis 3, Jesus ensina que a natureza revela o conhecimento do bem e do mal.
Os fenômenos da natureza, porém, nos dão um quadro ambivalente do bem e do mal. Além disso, como consequência do pecado, a natureza às vezes age como instrumento do castigo divino. De acordo com a Bíblia, a natureza mostra a glória, a sabedoria e o cuidado divinos. Por outro lado, na decadência, doença, desastre e morte tão prevalecentes neste mundo de pecado, a natureza também expõe as consequências da queda. Manifesta diariamente o cuidado de Deus, mas também apresenta claramento os castigos divinos sobre o pecado humano. É preciso ter em mente ambos os aspectos para entender a questão da teologia natural.
A evidência bíblica sugere que só se pode obter um conhecimento verdadeiro de Deus a partir da criação e da providência quando, sensibilizados pela misericordiosa obra do Espírito Santo, a mente humana é transformada e a percepção espiritual, despertada.

Referências:


  • Ariel A. Roth. A ciência descobre Deus: evidências convincentes que o Criador existe. Casa Publicadora Brasileira. 2010, p. 249.
  • Peter M. van Bemmelen. Revelação e inspiração. in: Tratado de teologia adventista do sétimo dia. Casa Publicadora Brasileira, Tatui/SP. 2011, p. 30-35.

Revelação e Fé - revelação natural e revelação em Jesus


Revelação Natural e Revelação em Jesus Cristo, apontamentos de Revelação e Fé
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O homem tem um conhecimento natural de Deus. A partir dos vários aspectos da Criação, do Finito, obra de Deus, o Homem, pela sua inteligência, pela razão, tem um conhecimento natural de Deus como Fundamento do Ser, diferente do finito.
O Homem anseia a revelação de Deus. Todos os dias há uma procura de Deus.
A fé tem razões, supõe conhecimento, não contradiz a razão. A fé, resposta à Revelação, é mais do que aquilo que a razão pode alcançar sozinha. A fé supera a razão, integra a razão.

Revelação e Fé: termos e conceitos


Razão: define o ser humano. Permite chegar a conclusões a partir de premissas. Os filósofos racionalistas opõem a razão à imaginação. Conhecimento humano que reflecte os problemas do Homem, do Universo e de Deus, prescindindo da Revelação e da Fé. É aquilo que o espírito humano “sozinho”, isto é, sem a ajuda da Revelação, pode alcançar.

Religião: conjunto de crenças e convicções referidas a Deus ou “deuses” e forças superiores ao Homem, partilhadas por uma comunidade humana e ligadas a práticas, ritos e tradições.

Moral: conjunto de normas e sistema de valores, implica prática ética.

Revelação: consiste em fazer participar, pela graça do Espírito Santo, todos os homens na vida divina, como filhos adoptivos no Seu único Filho, Jesus Cristo. A revelação é plenamente realizada e completada em Jesus Cristo.

Fé: é uma atitude humana de confiança, de entrega, de afectividade, é uma maneira de viver para além do conhecimento intelectual.

Bíblia: Livro Sagrado composto pelo Antigo Testamento e Novo Testamento. O Antigo Testamento é a sua primeira parte e trata da relação de Deus com o povo israelita. O Novo Testamento foi escrito após a morte de Jesus Cristo, narra a vida Dele e o desenvolvimento da nova comunidade por Ele fundada.

Tradição: para os católicos, a Palavra de Deus está contida não só nas Escrituras, mas também nos ensinamentos de Jesus Cristo e dos Apóstolos, ensinamentos que a comunidade cristã tem transmitido oralmente, de geração em geração e na vida da própria comunidade.

Mistério: Trinitário (Pai, Filho e Espírito Santo); Cristológico (nascimento, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo).

Apontamentos de História da Igreja

São Pedro e São Paulo
A expansão e consolidação do Cristianismo encontrou forte oposição nos três primeiros séculos da sua história. O Cristianismo exigia a adesão pessoal e interior a Jesus Cristo, mas não apareceu como uma religião para um povo, antes como uma fé para todos, a levar por toda a parte, a unir todos os povos. No início do século I, os cristãos eram segregados e perseguidos, vítimas de calúnias, eram acusados de magia, incesto, infanticídio ritual.
O fogo que consumiu Roma, em 64, (imperador Nero), despoletou a perseguição dos cristãos e a morte dos discípulos romanos de Cristo, que seriam queimados no circo. São Paulo e São Pedro seriam vítimas e a perseguição alastrou-se para além de Roma.
O incentivo ao culto imperial (imperador Domiciano), na mesma época, valeu aos cristãos a punição do Império. São João exila-se em Patmos. Com Trajano foram martirizados Simão, bispo de Jerusalém, e Santo Inácio. Os cristãos eram punidos através da legislação geral por recusarem o culto do imperador e dos deuses tradicionais. É desta altura a carta do jovem Plínio a imperador Trajano.

Encontro com o Gnosticismo

A palavra em grego deriva do conhecimento. É um conjunto de correntes filosófico-religiosas que dizia que o conhecimento superior e profundo do mundo e do homem dava sentido à vida. Apresentava-se como um conhecimento intelectual e não como uma adesão espiritual ou de fé, porque aderimos a Cristo pela fé.
Os gnósticos colocavam a razão no conhecimento que tinham adquirido em círculos fechados e de forma oculta. Eram um perigo para a Igreja porque a partir do conhecimento que tinham interpretavam as Sagradas Escrituras à sua maneira. Uma das suas características é a compreensão dualista: o corpo é mau, o espírito é bom; e é uma das contradições com a fé cristã pois Cristo encarnou e tornou-Se nossa carne para a salvar.
Irineu, bispo de Lião, vai lutar contra as heresias
É isso que Irineu, bispo de Lião, vai refutar no livro “Contra as Heresias”. Irineu pedia a adesão total a Cristo.
O Gnosticismo foi um perigo maior que as autoridades do Império.

Os vários imperadores (Marco Aurélio, Séptimo Severo, Maximino) perseguiram o Cristianismo, editando leis que impedissem o seu crescimento e fazendo muitas vítimas entre os catecúmenos e os neófitos.

Catecumenato:é o tempo ou instituição que no quadro da iniciação cristã se destinava a ajudar os recém-convertidos de uma fé inicial a uma fé adulta. Destina-se a todos os que passaram a ser cristãos. Até à eleição eram acompanhados e depois continuavam a ser acompanhados por padrinhos ou madrinhas. Vive-se muito hoje, em França, país que sofreu uma grande crise de fé. Nas nossas igrejas, crianças já com alguma idade têm de obedecer ao catecumenato para serem baptizadas.
O que se vincava era a tradição dos ensinamentos de Jesus Cristo, a catequese mistagógica, ou seja, de introdução ao mistério de Cristo.

Embora com alguns períodos de acalmia, todos os imperadores, de Décio a Diocleciano, perseguiram os cristãos. Publicaram-se éditos que condenavam à morte os membros da hierarquia que persistissem na fé. As celebrações ocorriam nas catacumbas. Foi aí que o Papa Sisto II e quatro diáconos foram mortos, surpreendidos na celebração da Eucaristia.

As acusações contra o Cristianismo surgiam de três origens:

  •          Meios populares
  •          Judaísmo
  •          Intelectuais pagãos

Os Apologistas (século II) atacavam os vícios pagãos contrapondo com a virtude cristã; aos judeus tentavam mostrar a união entre o Antigo e o Novo Testamento; e aos intelectuais pagãos explicavam a “semente do Verbo”, as sementes que Jesus semeia em que procuram de coração sincero a Verdade.

No século III, a Igreja atingiu uma ampla expansão e atingiu os meios cultos. Filósofos como Clemente de Alexandria e Orígenes serviram o estudo da Palavra de Deus. A formação jurídica de Tertuliano levou-o a defender adequadamente a doutrina cristã. 
Os Apóstolos e os seus colaboradores tinham fundado um número considerável de Igrejas locais, de Jerusalém a Roma, onde lhes sucederam, depois, os bispos. A Igreja estava bastante bem estruturada e havia muita união na relação com as comunidades. 
Sob esta herança, foi possível aos Concílios Ecuménicos dos séculos IV e V fixarem o sentido e acertarem a expressão comum das certezas cristãs.
  •     325 Niceia, imperador convoca Concílio para debater a questão de Cristo ser ou não consubstancial ao Pai
  •  Constantinopla – questão da divindade do Espírito Santo
  •   431 Éfesio – interrogações sobre a divindade da maternidade de Maria, mãe de Deus
  • 451 Calcedónia – luta contra o monofisismo que dizia que Cristo tinha apenas uma natureza, em que a humanidade tinha absorvido a divindade (considerada uma heresia)

Grandes Igrejas: Roma, Constantinopla, Antioquia, Alexandria, Jerusalém, a que se juntaram outras. Foi um período áureo dos bispos e da Igreja, embora, nos inícios da Igreja, alguns bispos e padres tenham caído em heresias (arianismo, monofisismo).

História da Igreja: Carta do jovem Plínio a Trajano


Tenho por praxe, Senhor, consultar Vossa Majestade nas questões duvidosas. Quem melhor dirigirá minha incerteza e instruirá minha ignorância? Nunca presenciei nenhum julgamento de cristãos. Por isso ignoro as penalidades e investigações costumeiras, bem como as pautas em uso. Tenho muitas dúvidas a respeito de certas questões, tais como: estabelecem-se diferenças e distinções de acordo com a idade? Cabe o mesmo tratamento a enfermos e robustos? Aqueles que se retratam devem ser perdoados? A quem sempre foi cristão, compete gratificar quando deixa de sê-lo? Há de punir-se o simples fato de alguém ser cristão, mesmo que inocente de qualquer crime, o exclusivamente os delitos praticados sob esse nome?
Entretanto, eis o procedimento que adotei nos casos que me foram submetidos sob acusação de cristianismo. Aos incriminados pergunto se são cristãos. Na afirmativa, repito a pergunta segunda e terceira vez, ameaçando condená-los à pena capital. Se persistirem, condeno-os à morte. Não duvido que, seja qual for o crime que confessem, sua pertinácia e obstinação inflexíveis devem ser punidas. Alguns apresentam indícios de loucura; tratando-se de cidadãos romanos, separo-os para enviá-los a Roma.
Mas o que geralmente se dá é o seguinte: o simples fato de julgar essas causas confere enorme divulgação às acusações, de modo que meu tribunal está inundado com uma grande variedade de casos. Recebi uma lista anónima com muitos nomes. Os que negaram ser cristãos, considerei-os merecedores de absolvição. De fato, sob minha pressão, devotaram-se aos deuses e reverenciaram com incenso e libações vossa imagem colocada, para este propósito, ao lado das estátuas dos deuses, e, pormenor particular, amaldiçoaram a Cristo, coisa que um genuíno cristão jamais aceita fazer. Outros inculpados da lista anónima começaram declarando-se cristãos e, logo, negaram sê-lo, declarando ter professado esta religião durante algum tempo e renunciando a ela há três ou mais anos; alguns a tinham abandonado há mais de vinte anos. Todos veneraram vossa imagem e as estátuas dos deuses, amaldiçoando a Cristo. Foram unânimes em reconhecer que sua culpa se reduzia apenas a isso: em determinados dias, costumavam comer antes da alvorada e rezar responsivamente hinos a Cristo, como a um deus; obrigavam-se por juramento não a algum crime, mas à abstenção de roubos, rapinas, adultérios, perjúrios e sonegação de depósitos reclamados pelos donos. Concluído este rito, costumavam distribuir e comer seu alimento. Este, aliás, era um alimento comum e inofensivo. Eles deixaram essas práticas depois do edito que promulguei, de conformidade com vossas instruções, proibindo as sociedades secretas. Julguei ser mais importante descobrir o que havia de verdade nessas declarações através da tortura a duas moças, chamadas diaconisas, mas nada achei senão superstição baixa e extravagante. Suspendi, portanto, minhas observações na espera do vosso parecer. Creio que o assunto justifica minha consulta, mormente tendo em vista o grande número de vítimas em perigo. Muita gente, de todas as idades e de ambos os sexos, corre o risco de ser denunciada e o mal não terá como parar. Esta superstição contagiou não apenas as cidades, mas as aldeias e até as estâncias rurais. Contudo, o mal ainda pode ser contido e vencido. Sem dúvida os templos que estavam quase desertos são novamente freqüentados; os ritos sagrados há muito negligenciados, celebram-se de novo; vítimas para sacrifícios estão sendo vendidas por toda a parte, ao passo que, até recentemente, raramente um comprador era encontrado. Esses indícios permitem esperar que legiões de homens sejam susceptíveis de emenda, desde que tenham a oportunidade de se retratar.

Esta carta, do início do século II, descreve o tratamento dado aos cristãos e o motivo da sua perseguição: a fé em Cristo. É interessante como Plínio destaca a fidelidade dos verdadeiros cristãos – “amaldiçoaram a Cristo, coisa que um genuíno cristão jamais aceita fazer”.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Revelação e Fé: À procura de Deus

Um excelente documentário aconselhado na disciplina de Revelação e Fé pelo Pe. Júlio Gomes. Transmitido pelo canal História, 1ºepisódio.

Haverá uma beleza que nos salve?

"Haverá uma beleza que nos salve", foi o título da oração de sapiência que o Pe. José Tolentino Mendonça proferiu na sessão solene de abertura do ano letivo do Instituto Diocesano de Estudos Pastorais, que ocorreu no dia 1 de Outubro, em Bragança.
O Pe. Tolentino de Mendonça abordou o Evangelho da Beleza e o conceito de beleza, um dos mais esquecidos pela cultura teológica ocidental. Pela beleza e pela arte percebemos que a vida é mais do que uma luta pela sobrevivência. É a beleza que permite ao homem estabelecer uma relação com Deus a partir de uma experiência espiritual que o transforma.





Instituto Diocesano de Estudos Pastorais em funcionamento na diocese de Bragança

Já está em pleno funcionamento o Instituto Diocesano de Estudos Pastorais (IDEP), escola teológica da diocese de Bragança-Miranda. Um sonho antigo que o bispo D. José Cordeiro impulsionou com o objetivo de "aprofundar a fé a partir da ciência teológica, da pastoral, da espiritualidade, de todas as dimensões que contemplam a vida de uma Igreja".
O IDEP esteve inativo cerca de uma década e ressurge agora pela mão de D. José Cordeiro como uma "janela de esperança na evangelização do Nordeste Transmontano", para que os leigos "tomem cada vez mais consciência do seu lugar e da sua missão" na Igreja.

A oferta formativa é de três anos, com a possibilidade de inscrição "ad hoc" em diferentes disciplinas.
As aulas decorrem duas vezes por semana, numa sala do Paço Episcopal, em Bragança, e compreende, neste primeiro semestre, a seguinte estrutura curricular: Introdução à Liturgia; História da Igreja e da Diocese; Revelação e Fé; Pastoral; e Introdução à Sagrada Escritura.
O primeiro ano, com aproveitamento, capacita para os serviços de Leitores e Salmistas. O segundo ano para os serviços e ministérios de Ministros Extraordinários da Comunhão, Acólitos, Catequistas e professores de Educação Moral, Religiosa e Católica (EMRC). No terceiro ano, o curso dá a qualificação para o exercício de Ministros da Palavra e Diáconos Permanentes, num ano que integra, também, os seminaristas do 6ºano pastoral.
A direção do IDEP, a cargo do Pe. José Carlos Martins, está já a trabalhar parcerias e filiações com outras instituições académicas para a certificação da formação.