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domingo, 27 de janeiro de 2013

Liturgia: apontamentos e resumos


Liturgia, a primeira escola de fé
Carta Pastoral por ocasião do Ano da Fé, D. José Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda

A Liturgia é a primeira e grande escola permanente da fé e da vida espiritual porque aí a Igreja celebra sempre o mesmo e único mistério de Cristo. Trata-se de uma ciência e uma arte de tornar os ritos e as orações profundamente comunicativos.
A Constituição Sacrosantum Concilum (SC) dá especial atenção à Sagrada Liturgia. Mas o que se entende por Liturgia? É a ação da Igreja em que se torna presente Cristo, a ação salvífica de Cristo na Igreja. Assim, o centro da Liturgia é a Páscoa de Cristo, o mistério de Cristo como história da Salvação. A Liturgia é a fonte pura e perene de água viva da qual cada pessoa sedenta pode haurir gratuitamente o dom de Deus (cf. Jo 4,19).
A Constituição sobre a Sagrada Liturgia salienta que através da Liturgia e mediante o conjunto de sinais visíveis e eficazes do culto da Igreja se exercita a obra sacerdotal de Cristo, ou seja, a santificação do homem e a glorificação de Deus.
Podemos afirmar que a Liturgia representa a fonte e ponto culminante da ação da Igreja. Usando a imagem descrita pelo Papa João XXIII podemos dizer que a Liturgia é como a fonte da aldeia à qual todas as gerações vêm beber a água sempre viva e fresca. É também ponto culminante porque toda a atividade da Igreja tende para a comunhão de vida com Cristo. É na Liturgia que a Igreja se manifesta e comunica aos fiéis a obra da Salvação, realizada por Cristo de uma vez para sempre.
A Liturgia é a Igreja em oração. Ao celebrar o culto divino, a Igreja exprime aquilo que é: una, santa, católica e apostólica. É a fé celebrada nos momentos mais sagrados, é a Bíblia rezada, a espiritualidade da Igreja atuada e o vértice e fonte de toda a ação pastoral da Igreja.

1.      Constituição sobre a Sagrada Liturgia
Sacrosantum Concilium diz-nos que a Liturgia é a atualização da história da salvação e a sua celebração permanente. A dimensão histórica expressa-se no anúncio profético do Antigo Testamento e no acontecimento real do Novo Testamento. O Hodie litúrgico atualiza o passado e antecipa o futuro. Procura-se passar do memorial (anamnésis) à invocação a Deus para que envie o Seu Espírito (epiclésis). O Hodie litúrgico refere-se ao eterno Hoje da Liturgia em que se torna presente o único e o mesmo mistério de Cristo.
Celebra-se a obra da redenção, ou seja, o plano histórico-salvífico realizado pelo Pai, em Cristo, por obra do Espírito Santo em benefício dos fiéis incorporados na Igreja. O mistério continuamente celebrado é uma celebração sacrificial e memorial que se atualiza e opera na obra redentora. Os grandes fundamentos teológico-litúrgicos saídos da Sacrosantum Concilum são:

1.1.O exercício do sacerdócio de Cristo

Quem preside à Liturgia é Jesus Cristo. Aquele que preside, preside na pessoa de Jesus Cristo pelo ministério que lhe foi atribuído pelas mãos da Igreja, é mandatado pela Igreja em nome de Deus – mandato apostólico proveniente do sucessor de Pedro; age por ação do Espirito Santo.

1.2.Liturgia como vértice e fonte da vida cristã;

1.3.A participação plena, consciente e ativa;

A participação é um direito e um dever, pertence ao caráter batismal. O participar significa transcender e ultrapassar o âmbito semântico-ritualista para penetrar no coração da ação litúrgica. Os participantes são os fiéis, que se tornam atores e ministros da própria celebração. Participa-se quando as pessoas estão envolvidas e interagem entre elas diante do ministério das três pessoas da Santíssima Trindade.

1.4.A epifania da Igreja

A Liturgia é a Igreja em oração e as ações litúrgicas o sacramento de unidade, isto é, o Povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos

1.5.A unidade substancial e a adaptação litúrgica às culturas

A Igreja é comunhão, unindo diversidade e unidade, pelo que tem de assumir tudo o que é de positivo que se encontra em todas as culturas.

1.6.A sã tradição e o progresso legítimo

A Liturgia compõe-se de uma dupla realidade: uma invisível, imutável e eterna; outra humana, visível e suscetível de modificação. Assim, o que se pretende é uma renovação (progresso) na linha de uma sempre viva Tradição (transmissão contínua da fé) que consinta um desenvolvimento orgânico.
O invisível, imutável e eterno, a celebração do mistério salvífico de Cristo, é expresso na Liturgia por sinais, símbolos e ritos, remetendo sempre para elementos naturais. Os símbolos remetem para o restabelecimento da unidade de algo já existe. A Igreja identifica-se pelo símbolo apostólico – Credo.
Os sinais realizam o que simbolizam, remete para o invisível. Os sinais da Igreja são os sacramentos.
Os ritos são formas importantes de símbolos religiosos que remetem para uma vivência particular e organizada de forma comunitária.
A Liturgia é um rito repetido várias vezes. Na ritualidade cristã há algo que é constante: Cristo é o seu fundamento. Não deve ser improvisada.

1.7.A língua

A questão da língua relaciona-se com o valor pastoral e didático da Liturgia, no sentido de favorecer a participação ativa e consciente dos fiéis na Liturgia.

1.8.A presença da Palavra de Deus

Não existe nenhuma ação litúrgica sem a Palavra, pois o que se lê na Escritura é o mesmo que se realiza na Liturgia. A Bíblia é o elemento essencial da Liturgia, dado que a Liturgia é a Bíblia transformada em palavra proclamada e em palavra rezada e atualizada. Desde os inícios da Igreja que a leitura das Escrituras é parte integrante da Liturgia.

1.9.A formação litúrgica

A formação litúrgica está intimamente ligada à participação ativa dos fiéis, pois trata-se de uma verdadeira pastoral no sentido de educar à participação, de ser uma ciência e uma arte de tornar os sinais da Liturgia profundamente comunicativos e de ser um momento de reflexão sistemática sobre a atividade litúrgica da Igreja.
1.10.        O canto e a arte sacra

O canto e a música desempenham a função de sinais e devem expressar a beleza da oração, a participação unanime da assembleia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração. O valor artístico deve servir como alimento da fé e da piedade dos homens de hoje, pelo que devem primar pela nobre simplicidade e pela beleza.

Liturgia – primeira escola de fé

A Liturgia realiza uma aprendizagem da fé, não apenas racionalmente, mas pelos sentidos, pois é um mistério que se escuta, vê, toca, saboreia e cheira. A Liturgia deve, por isso, ser séria, bela, simples, experiência do mistério e narração da perene aliança de Deus com os homens; equilíbrio entre a Palavra e o Sacramento – equilíbrio entre a palavra, o canto, o silêncio e o rito.

A Liturgia vive dos Sacramentos, estes celebram a ação salvífica de Cristo na Igreja nascida da Páscoa. O centro da celebração dos sacramentos é o Mistério da Páscoa de Cristo.

Sacramento é um sinal percetível pelos sentidos, é uma ação significativa feita de palavras e gestos que realiza o que significa. São sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais nos é dada a vida divina. Os ritos visíveis com os quais são celebrados os sacramentos, significam e realizam as graças próprias de cada sacramento e dão fruto naqueles que os recebem.

A Igreja age nos sacramentos como uma comunidade sacerdotal, organicamente estruturada:
  • ·         Pelo Batismo e pela Confirmação, o povo sacerdotal torna-se apto a celebrar a Liturgia;
  • ·         Pela Eucaristia, pela participação no sacrifício Eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, os cristãos oferecem o sacrifício divino e a si mesmos com Ele
  • ·         Pela Penitência obtêm a misericórdia de Deus e o perdão das ofensas;
  • ·         Pela Unção dos Doentes e a oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda dos doentes ao Senhor;
  • ·         Pela Ordem certos fiéis ficam instituídos em nome de Cristo para apascentar a Igreja com a palavra e graça de Deus; Pelo Matrimónio, os cônjuges cristãos auxiliam-se mutuamente para a santidade.

A Liturgia dos sacramentos é composta de sinais e de símbolos do mundo dos homens, conferindo-lhes a dignidade de sinais de graça. Em cada celebração sacramental realiza-se o encontro dos filhos de Deus com o seu Pai, em Cristo e no Espírito Santo, que se processa através de ações e de palavras “por ritos e orações”. No sacramento a Verbo torna-se visível. A instituição dos sacramentos deve entender-se como uma ação de Cristo que realiza a salvação. O evento pascal é o momento histórico da salvação, no qual Deus por Cristo institui o mistério pascal. Em Cristo cumpre-se verdadeiramente a Páscoa.
O Catecismo da Igreja Católica divide os sacramentos em três grandes blocos:
  •      Sacramentos de Iniciação Cristã (Batismo, Confirmação e Eucaristia);
  • Sacramentos de Cura (Reconciliação e Unção dos Doentes)
  • 3     Sacramentos ao Serviço da Comunhão (Ordem e Matrimónio)

Esta ordem segue a vida dos cristãos, na analogia de fases e momentos mais importantes – nascimento e crescimento, cura e missão à vida da fé dos cristãos.
É sempre Cristo quem batiza, quem casa, quem perdoa, é sempre Cristo o liturgo primeiro de todos os sacramentos – uma coisa é o que vedes, outra é o que tendes de ver, o invisível, Cristo.
Os sacramentais são sinais sagrados que significam realidades, sobretudo de ordem espiritual, e se obtêm pela oração da Igreja. De entre todos os sacramentais assumem particular relevância a celebração das bênçãos e exéquias.

A Igreja em Oração

A Igreja é o sujeito da Liturgia. A oração da Igreja é sempre um dom de Deus e é realizada pela comunidade cristã, reunida aqui e agora. O fundamento teológico da oração é a presença de Cristo em nós, o objeto e sujeito da oração litúrgica é Cristo.
Jesus Cristo deixou-nos um mandamento- “Orai sem cessar”, “vigiai e orai”; um documento – o Pai Nosso; e um exemplo – a Sua vida.
A oração litúrgica é a participação na oração de Cristo dirigida ao Pai no Espirito Santo. Rezar é uma arte.
“Senhor, estou aqui diante de Ti, à espera de nada” (oração Taizé)
Devemos rezar em Deus.
Na oração, o silêncio reveste-se de particular importância, é parte integrante da celebração litúrgica. No ritmo da celebração é necessário o recolhimento, a interiorização e a oração interior. Juntamente com a palavra e o canto, o silêncio é outra das grandes dimensões simbólicas da Liturgia. O cristão é convidado a passar à espiritualidade do silêncio como dimensão contemplativa da vida.
A Igreja reconhece na Liturgia a fonte de oração.
São Bento organizou a Liturgia das Horas para celebrar o Mistério de Cristo na vida quotidiana, designa a oração pública e comunitária.
A Liturgia das Horas tem a característica de santificar o curso do dia e da noite, por isso, está intimamente ligada ao ritmo do tempo, porque a própria Liturgia se insere no tempo e celebra o tempo da salvação.

Espiritualidade Litúrgica

A vida cristã requer sempre uma vida espiritual que não pode existir sem a Liturgia. A Liturgia celebra Jesus Cristo, o mistério da fé. Não é um rito, é um atos – lugar apropriado, específico, lugar de vida, primeira escola de fé. A espiritualidade não se ensina, aprende-se e experimenta-se. À pergunta dos discípulos –“onde moras?”, Jesus responde, “vinde e vede”; é um convite permanente para a comunicação plena e o seguimento definitivo de Cristo.
A vida espiritual cristã é a união do homem com Deus. O Pai é a fonte e o fim da Liturgia. Cristo significa e realiza na Liturgia o Seu mistério pascal e age pelos sacramentos. A missão do Espirito Santo na Liturgia é preparar para o encontro com Cristo e tornar presente a obra salvífica de Cristo pelo dom da comunhão da Igreja orante.

Ano Litúrgico

O ano é tido como a unidade mais longa do tempo e dos homens, seguindo o ritmo cíclico da terra à volta do sol. Partindo do dia de Páscoa como fonte de luz, o Ano Litúrgico não é um calendário de festas, mas o desenrolar dos diferentes aspetos do único mistério de Cristo. No seu conjunto, o Ano Litúrgico é imagem e sinal sacramental do plano eterno de salvação, que inclui o mistério de Cristo.
Com o tempo do Advento e da manifestação do Senhor inaugura-se o novo Ano Litúrgico. Segundo os livros litúrgicos da Liturgia romana, o Ano Litúrgico começa no primeiro domingo do Advento e termina no sábado posterior à solenidade de Cristo Rei do universo.
Esta noção desenvolveu-se lentamente como um todo, em torno de dois eixos fundamentais: a Páscoa e a sua preparação (Quaresma); e a partir do século IV, o Natal e a sua preparação (Advento), tendo ainda em conta os grandes ciclos cósmicos (lunar e solar).
O Ano Litúrgico integra em cada semana o dia do Senhor  - o Domingo, e, anualmente, a solenidade da Páscoa e as restantes festas.
Nos diversos tempos do ritmo anual da Liturgia, a Igreja recorda todo o mistério de Cristo, venera a Virgem Maria e comemora os mártires e os santos. A Liturgia não celebra temas, celebra sempre Cristo e as diversas dimensões da vida de Jesus e da Igreja.
A coordenada tempo é a categoria dentro da qual se opera a salvação. Deus entrou no tempo e bafejou-o de eternidade; não é uma noção nem se entende em termos de cronologia, mas antes como manifestação do tempo propício dos eventos salvíficos que ritmam a existência temporal.
O que aconteceu de uma vez para sempre na vida histórica de Jesus, torna-se sacramentalmente presente à Sua Igreja cada vez que se cumpre o imperativo evangélico – “Fazei isto em memória de Mim”.
Ao longo do Ano Litúrgico proclama-se Cristo como toda a amplitude do mistério pascal, por meio do anúncio da Palavra, da celebração ritual-sacramental em determinados dias e tempos de festa, especialmente ao Domingo, que é o fundamento e centro de todo o Ano Litúrgico e dia de festa primordial.
O Ano Litúrgico celebra o mistério de Deus em Cristo, porquanto está radicado sobre aquela série de eventos mediante os quais Deus entrou na história e na vida do homem.

O Domingo

O Domingo celebra-se desde as origens do Cristianismo como acontecimento originário e distintivo. Os testemunhos mais antigos são os textos neotestamentários dos Atos dos Apóstolos e apresentam a celebração do Domingo, dia do Senhor, ligada ao acontecimento da Páscoa. Este dia era o primeiro da semana hebraica no qual os cristãos se reuniam para a fração do pão. O Domingo é o fundamento e o centro de todo o Ano Litúrgico, o principal dia de festa a propor e inculcar no espírito dos fiéis, festa porque é uma celebração comemorativa dos acontecimentos realizados por Deus em favor do homem na história.
Todo o Ano Litúrgico decorre em terno de um único mistério, o da morte e Ressurreição de Cristo, no qual a Igreja vive continuamente.
O Domingo carateriza-se sobretudo pela celebração da Eucaristia, na qual a família de Deus, reunida para escutar a palavra da salvação e participar no pão da vida, celebra o memorial do Senhor ressuscitado, na esperança do domingo que não tem ocaso. No entanto, se não for possível a participação na celebração eucarística por falta de ministro sagrado ou por outra causa grave, recomenda-se que os fiéis tomem parte na Liturgia da Palavra ou consagrem tempo conveniente à oração pessoal ou em família ou em grupos de família, conforme a oportunidade, (Código do Direito Canónico).
Ministérios na Liturgia
Os vários ministérios operantes no interior da celebração, para o bem do povo de Deus, não são funções de poder mas de diaconia que deriva do sacerdócio de Cristo. A regra de ouro é “fazer tudo e só o que é da sua competência, segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas” (Sacrosantum Concilium).
Podemos distinguir: ministérios ordenados e ministérios instituídos. Há ainda os ministérios não instituídos, que são as inumeráveis formas espontâneas de serviço, de culto, de catequese, de caridade, com os quais a Igreja é rica em virtude e dom do Espírito Santo.
Ministérios ordenados: são um serviço permanente dentro do sacramento da Ordem e são os bispos, os presbíteros e os diáconos. Tratando-se dos Apóstolos e dos seus sucessores, constituem a hierarquia eclesial.
Ministérios instituídos: são serviços eclesiais que a Igreja confere com um rito próprio, na base de atitudes, da preparação e do testemunho cristão, aos fiéis para assumirem funções especiais na comunidade; como o leitor e acólito para o serviço da Palavra, da Eucaristia e dos Sacramentos.
O leitor proclama a Palavra de Deus, a sua presença e o seu ministério são a resposta da Igreja ao mandato recebido: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a todas as criaturas”, Mc 16,15.
O acólito resume em si grande parte das funções que realizava o subdiácono e que pertencem ao ministro extraordinário da comunhão.

Homilia

A homilia é parte integrante da celebração, faz com que a Palavra proclamada se atualize.
“Se pregando o que não fazem, os oradores são úteis a um grande número, sê-lo-iam muito mais se fizessem o que dizem”, Santo Agostinho.

Lectio Divina

A leitura orante da Bíblia torna a Palavra de Deus percetível à fé através do sinal de palavras e gestos humanos.

O Lugar de Celebração

O Cristianismo tem casas dedicadas em que a Igreja se realiza como tal: assembleia santa convocada por Deus para a celebração da Aliança mediante a palavra e o sacramento. O lugar em que a igreja e os cristãos se incorporam em Cristo pela oração, pela Palavra e pelos sacramentos, é um lugar sagrado.
O lugar de celebração é muito mais do que um edifício, é a casa para a assembleia do povo de Deus. A Liturgia realça a centralidade do altar, figura de Cristo, sacerdote, altar e cordeiro do próprio sacrifício realizado de uma vez por todos.
altar é o fulcro da celebração litúrfica e evidencia a sua profundidade cristológica.
É determinante a ordenação do espaço sagrado em função do trinómio: altar – ambão – sede. À volta destes três elementos congrega-se a assembleia, comunidade de escuta da Palavra de Deus, comunidade orante e comunidade que vive dos sacramentos.
O altar cristão tem a sua origem específica na mesa da Última Ceia. É nessa mesa que Jesus coloca o Seu corpo e sangue nas espécies de pão e vinho, qual realização do sacrifício profético do cordeiro pascal. A mesa convivial é também sacrificial. É o próprio Deus que se oferece ao homem.
É no ambão que a Palavra é proclamada com solenidade, para que seja escutada, meditada e motivo de ação. 
O ambão e o altar convergem numa única realidade litúrgica da qual parte a ação salvífica. O sacerdote é o sinal sacramental de Cristo presente, por isso a cadeira está presente – preside na pessoa de Jesus Cristo.
Outros elementos

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Apontamentos de História da Igreja

São Pedro e São Paulo
A expansão e consolidação do Cristianismo encontrou forte oposição nos três primeiros séculos da sua história. O Cristianismo exigia a adesão pessoal e interior a Jesus Cristo, mas não apareceu como uma religião para um povo, antes como uma fé para todos, a levar por toda a parte, a unir todos os povos. No início do século I, os cristãos eram segregados e perseguidos, vítimas de calúnias, eram acusados de magia, incesto, infanticídio ritual.
O fogo que consumiu Roma, em 64, (imperador Nero), despoletou a perseguição dos cristãos e a morte dos discípulos romanos de Cristo, que seriam queimados no circo. São Paulo e São Pedro seriam vítimas e a perseguição alastrou-se para além de Roma.
O incentivo ao culto imperial (imperador Domiciano), na mesma época, valeu aos cristãos a punição do Império. São João exila-se em Patmos. Com Trajano foram martirizados Simão, bispo de Jerusalém, e Santo Inácio. Os cristãos eram punidos através da legislação geral por recusarem o culto do imperador e dos deuses tradicionais. É desta altura a carta do jovem Plínio a imperador Trajano.

Encontro com o Gnosticismo

A palavra em grego deriva do conhecimento. É um conjunto de correntes filosófico-religiosas que dizia que o conhecimento superior e profundo do mundo e do homem dava sentido à vida. Apresentava-se como um conhecimento intelectual e não como uma adesão espiritual ou de fé, porque aderimos a Cristo pela fé.
Os gnósticos colocavam a razão no conhecimento que tinham adquirido em círculos fechados e de forma oculta. Eram um perigo para a Igreja porque a partir do conhecimento que tinham interpretavam as Sagradas Escrituras à sua maneira. Uma das suas características é a compreensão dualista: o corpo é mau, o espírito é bom; e é uma das contradições com a fé cristã pois Cristo encarnou e tornou-Se nossa carne para a salvar.
Irineu, bispo de Lião, vai lutar contra as heresias
É isso que Irineu, bispo de Lião, vai refutar no livro “Contra as Heresias”. Irineu pedia a adesão total a Cristo.
O Gnosticismo foi um perigo maior que as autoridades do Império.

Os vários imperadores (Marco Aurélio, Séptimo Severo, Maximino) perseguiram o Cristianismo, editando leis que impedissem o seu crescimento e fazendo muitas vítimas entre os catecúmenos e os neófitos.

Catecumenato:é o tempo ou instituição que no quadro da iniciação cristã se destinava a ajudar os recém-convertidos de uma fé inicial a uma fé adulta. Destina-se a todos os que passaram a ser cristãos. Até à eleição eram acompanhados e depois continuavam a ser acompanhados por padrinhos ou madrinhas. Vive-se muito hoje, em França, país que sofreu uma grande crise de fé. Nas nossas igrejas, crianças já com alguma idade têm de obedecer ao catecumenato para serem baptizadas.
O que se vincava era a tradição dos ensinamentos de Jesus Cristo, a catequese mistagógica, ou seja, de introdução ao mistério de Cristo.

Embora com alguns períodos de acalmia, todos os imperadores, de Décio a Diocleciano, perseguiram os cristãos. Publicaram-se éditos que condenavam à morte os membros da hierarquia que persistissem na fé. As celebrações ocorriam nas catacumbas. Foi aí que o Papa Sisto II e quatro diáconos foram mortos, surpreendidos na celebração da Eucaristia.

As acusações contra o Cristianismo surgiam de três origens:

  •          Meios populares
  •          Judaísmo
  •          Intelectuais pagãos

Os Apologistas (século II) atacavam os vícios pagãos contrapondo com a virtude cristã; aos judeus tentavam mostrar a união entre o Antigo e o Novo Testamento; e aos intelectuais pagãos explicavam a “semente do Verbo”, as sementes que Jesus semeia em que procuram de coração sincero a Verdade.

No século III, a Igreja atingiu uma ampla expansão e atingiu os meios cultos. Filósofos como Clemente de Alexandria e Orígenes serviram o estudo da Palavra de Deus. A formação jurídica de Tertuliano levou-o a defender adequadamente a doutrina cristã. 
Os Apóstolos e os seus colaboradores tinham fundado um número considerável de Igrejas locais, de Jerusalém a Roma, onde lhes sucederam, depois, os bispos. A Igreja estava bastante bem estruturada e havia muita união na relação com as comunidades. 
Sob esta herança, foi possível aos Concílios Ecuménicos dos séculos IV e V fixarem o sentido e acertarem a expressão comum das certezas cristãs.
  •     325 Niceia, imperador convoca Concílio para debater a questão de Cristo ser ou não consubstancial ao Pai
  •  Constantinopla – questão da divindade do Espírito Santo
  •   431 Éfesio – interrogações sobre a divindade da maternidade de Maria, mãe de Deus
  • 451 Calcedónia – luta contra o monofisismo que dizia que Cristo tinha apenas uma natureza, em que a humanidade tinha absorvido a divindade (considerada uma heresia)

Grandes Igrejas: Roma, Constantinopla, Antioquia, Alexandria, Jerusalém, a que se juntaram outras. Foi um período áureo dos bispos e da Igreja, embora, nos inícios da Igreja, alguns bispos e padres tenham caído em heresias (arianismo, monofisismo).

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Instituto Diocesano de Estudos Pastorais em funcionamento na diocese de Bragança

Já está em pleno funcionamento o Instituto Diocesano de Estudos Pastorais (IDEP), escola teológica da diocese de Bragança-Miranda. Um sonho antigo que o bispo D. José Cordeiro impulsionou com o objetivo de "aprofundar a fé a partir da ciência teológica, da pastoral, da espiritualidade, de todas as dimensões que contemplam a vida de uma Igreja".
O IDEP esteve inativo cerca de uma década e ressurge agora pela mão de D. José Cordeiro como uma "janela de esperança na evangelização do Nordeste Transmontano", para que os leigos "tomem cada vez mais consciência do seu lugar e da sua missão" na Igreja.

A oferta formativa é de três anos, com a possibilidade de inscrição "ad hoc" em diferentes disciplinas.
As aulas decorrem duas vezes por semana, numa sala do Paço Episcopal, em Bragança, e compreende, neste primeiro semestre, a seguinte estrutura curricular: Introdução à Liturgia; História da Igreja e da Diocese; Revelação e Fé; Pastoral; e Introdução à Sagrada Escritura.
O primeiro ano, com aproveitamento, capacita para os serviços de Leitores e Salmistas. O segundo ano para os serviços e ministérios de Ministros Extraordinários da Comunhão, Acólitos, Catequistas e professores de Educação Moral, Religiosa e Católica (EMRC). No terceiro ano, o curso dá a qualificação para o exercício de Ministros da Palavra e Diáconos Permanentes, num ano que integra, também, os seminaristas do 6ºano pastoral.
A direção do IDEP, a cargo do Pe. José Carlos Martins, está já a trabalhar parcerias e filiações com outras instituições académicas para a certificação da formação.