A encíclica Proventissimus Deus é do Papa Leão XIII. Foi publicada em 1893 e é o primeiro grande documento da Igreja sobre a Bíblia na época moderna. "Marca a hora do acordar da Igreja para a importância da Palavra de Deus". Não impede nem contraria as pesquisas da ciência bíblica, mas ainda dexa muito a desejar ao referir-se à assistência do Espírito Santo como um "ditado" aos hagiógrafos.
Richard Simon foi o grande impulsionador da crítica bíblica. Cedo se iniciou na literatura talmúdica e rabina, tornando-se independente e um estudioso da matéria. Richard foi inovador, no conturbado século XVII, ao afirmar, sobre a Inspiração, que houve homens que foram instrumentos de Deus mas, por serem profetas, não deixaram de ser homens, embora guiados pelo Espírito Santo.
Dizia, ainda, que não se pode ler a Bíblia com fruto sem se estar instruído sobre a crítica do texto, pois para entender bem os Livros Sagrados é necessário saber sobre os diferentes estados em que os livros foram encontrados, em que tempo e lugares foram escritos, bem como saber sobre as possíveis modificações sofridas.
Foi ele o primeiro a defender a tese de que o Pentateuco não é da autoria de Moisés na totalidade, até pelo número de repetições e pela diversidade de estilos.
Adiantando-se três séculos aos ensinamentos do Concílio Vaticano II afirmou que Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e Magistério da Igreja estão entrelaçados e associados de tal forma, que uns sem os outros perdem consistência.
O seu pensamento, no entanto, era demasiado inovador à época, e foi condenado tanto por católicos como protestantes, tendo as suas obras sido condenadas no Parlamento de Paris.
A revelação é natural e sobrenatural e implica mistério, pois revelação implica descobrir, tirar o véu. Se Deus não fosse mistério, não havia necessidade de revelar-Se e essa revelação é natural e sobrenatural.
É natural porque acessível à razão, podemos constatar pela criação e por tudo o que nos rodeia. Mas esta é uma revelação limitada, só completada pela revelação sobrenatural que se concretiza no mistério de Jesus Cristo. Os homens têm acesso ao Pai e são tornados participantes da natureza divina. A "revelação" é uma conversa de Deus com os homens, tal como aconteceu com Abraão, Moisés, numa revelação progressiva que culmina com o amor de Jesus aos seus.
Deus é Revelante e Revelado, estabelece com os homens uma relação de Pessoa para pessoa, como de um Pai para o filho.
Não é o homem que descobre Deus, é Deus quem se manifesta ao homem, quando, a quem, como e porque quer. Deus é a absoluta liberdade e manifesta-Se pelos meios que quer, em diversos géneros de expressão.
Deus fala aos homens à maneira humana, pois de outra forma não compreenderíamos. A única resposta válida é a fé.
Cristo é o revelador do Pai, pois proclama a Boa Nova dos Reinos e ensina com autoridade a Palavra de Deus. Se Ele revela é porque conhece os segredos do Pai. Aparece como profeta tradicional e inovador pregando a Boa Nova e a penitência. O povo reconhece-O como o Grande Profeta embora Jesus Cristo não reivindique esse título. Ele conhece a Lei, interpreta-a, corrige-a, aprofundando-a e inculcando nela princípios de uma nova moral. Chama a Deus "Abba".
Sobre os autores da Bíblia, Deus é a origem dos livros bíblicos, mas os humanos são os verdadeiros autores. Há vários autores e têm a sua cultura, a sua forma de se exprimir e comunicar, e é isto que ilustram, que contam e que rezam. Facilmente se percebe pelo teor dos livros que têm autores diferentes, mas Deus agiu sempre inspirando-os.
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Exames: apontamentos
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Exame Sagrada Liturgia: apontamentos
De que Papa é a Encíclica Proventissimus Deus?
A Proventissimus Deus é do Papa Leão XIII e surge num momento conturbado da história da Igreja. Vai afirmar a autoria divina da Bíblia, recomendar o seu estudo.
O que sugere o nome de Richard Simon?
Richard Simon foi quem, por assim dizer, iniciou verdadeiramente a era crítica, no século XVII. Logo em criança foi iniciado na literatura talmúdica e rabina e depressa se tornou independente. Diante da especulação dominante da época, sobre a inspiração da Sagrada Escritura afirma que houve homens que foram instrumentos de Deus, mas não deixaram de ser homens, ainda que guiados pelo Espírito Santo. Adiantou-se três séculos ao Concílio Vaticano II ao afirmar que as Escrituras, por si só, não eram suficientes, sem a Tradição e o Magistério da Igreja.
Defendeu a tese de que o Pentateuco não é de Moisés na totalidade, até pela diversidade de estilos que se encontram no mesmo livro. Foi acusado e condenado pelos protestantes e católicos, tendo de abandonar a Congregação do Oratório, onde tinha entrado em criança. As suas obras foram condenadas no Parlamento de Paris.
Pode a Bíblia ter mais do que um autor?
O autor principal e mentor da Bíblia é Deus, mas foram vários os profetas e apóstolos que a escreveram, inspirados pelo Espírito Santo. Hoje sabemos ainda que na antiguidade a questão dos autores não se colocava e, assim, muitas vezes quem continuava os livros, assinava com o nome do apóstolo ou profeta que tinha iniciado.
A revelação na Bíblia é natural ou sobrenatural?
A revelação na Bíblia é natural e sobrenatural. Deus manifesta-se aos homens de forma natural, através da criação, para que O possamos conhecer e admirar a Sua grandeza. Através da revelação sobrenatural, do Seu Filho, Deus revela o mistério central da fé cristã para a redenção dos homens. Deus manifesta-se ao homem, vai ao seu encontro e fala através dos homens para que O possamos entender.
Tanto a revelação natural como sobrenatural são necessárias, mas a única resposta válida do homem é a fé, pois a revelação não acaba com o mistério, como dizia S. Tomás de Aquino, "no termo do nosso conhecimento, conhecemos Deus como desconhecido".
Os Protestantes consideram o livro da Sabedoria como canónico ou deuterocanónico?
Os Protestantes consideram o livro da Sabedoria como deuterocanónico. , Hoje em dia, os Protestantes aceitam a uniformidade do canôn da Igreja Católica no que diz respeito ao Novo Testamento.
Sobre as citações da Bíblia:
As citações bíblicas têm sempre a seguinte ordem: Título do LIvro (abreviado), Capítulo e Versículo.
Exemplo: Jo 10,10. Esta citação lê-se assim: Evangelho de São João, capítulo dez, versículo dez.
* - A vírgula ( , ) separa o capítulo do versículo.
Exemplo: Jo 6,50 = Evangelho de São João, capítulo seis, versículo cinqüenta.
* - O ponto ( . ) indica um pulo entre os versículos.Neste caso, lê-se o número que vem antes e depois do ponto.
Exemplo: Jo 1,3.9 = Evangelho de São João, capítulo um, versículos três e nove.
* - O traço ( - ) indica que devemos ler de um versículo até o outro.
Exemplo: Jo 17,20-26 = Evangelho de São João, capítulo dezessete, versículos de vinte a vinte e seis. O traço pode também indicar uma seqüência de capítulos.
Exemplo: Jo 17,20-18,12 = Evangelho de São João, do capítulo dezessete, versículo vinte, até o capítulo dezoito, versículo doze.
* - O ponto e a vírgula ( ; ) separam uma citação de outra, ou um livro de outro livro.
Exemplo: Jo 1,5;16,14 = lê-se o versículo cinco do capítulo um e o versículo quatorze do capítulo dezesseis.
Outro exemplo: Jo 1,5;Mt1,22: neste caso, deve-se procurar as duas citações pedidas, uma no Evangelho de São João e a outra no Evangelho de São Mateus.
A Proventissimus Deus é do Papa Leão XIII e surge num momento conturbado da história da Igreja. Vai afirmar a autoria divina da Bíblia, recomendar o seu estudo.
O que sugere o nome de Richard Simon?
Richard Simon foi quem, por assim dizer, iniciou verdadeiramente a era crítica, no século XVII. Logo em criança foi iniciado na literatura talmúdica e rabina e depressa se tornou independente. Diante da especulação dominante da época, sobre a inspiração da Sagrada Escritura afirma que houve homens que foram instrumentos de Deus, mas não deixaram de ser homens, ainda que guiados pelo Espírito Santo. Adiantou-se três séculos ao Concílio Vaticano II ao afirmar que as Escrituras, por si só, não eram suficientes, sem a Tradição e o Magistério da Igreja.
Defendeu a tese de que o Pentateuco não é de Moisés na totalidade, até pela diversidade de estilos que se encontram no mesmo livro. Foi acusado e condenado pelos protestantes e católicos, tendo de abandonar a Congregação do Oratório, onde tinha entrado em criança. As suas obras foram condenadas no Parlamento de Paris.
Pode a Bíblia ter mais do que um autor?
O autor principal e mentor da Bíblia é Deus, mas foram vários os profetas e apóstolos que a escreveram, inspirados pelo Espírito Santo. Hoje sabemos ainda que na antiguidade a questão dos autores não se colocava e, assim, muitas vezes quem continuava os livros, assinava com o nome do apóstolo ou profeta que tinha iniciado.
A revelação na Bíblia é natural ou sobrenatural?
A revelação na Bíblia é natural e sobrenatural. Deus manifesta-se aos homens de forma natural, através da criação, para que O possamos conhecer e admirar a Sua grandeza. Através da revelação sobrenatural, do Seu Filho, Deus revela o mistério central da fé cristã para a redenção dos homens. Deus manifesta-se ao homem, vai ao seu encontro e fala através dos homens para que O possamos entender.
Tanto a revelação natural como sobrenatural são necessárias, mas a única resposta válida do homem é a fé, pois a revelação não acaba com o mistério, como dizia S. Tomás de Aquino, "no termo do nosso conhecimento, conhecemos Deus como desconhecido".
Os Protestantes consideram o livro da Sabedoria como canónico ou deuterocanónico?
Os Protestantes consideram o livro da Sabedoria como deuterocanónico. , Hoje em dia, os Protestantes aceitam a uniformidade do canôn da Igreja Católica no que diz respeito ao Novo Testamento.
Sobre as citações da Bíblia:
As citações bíblicas têm sempre a seguinte ordem: Título do LIvro (abreviado), Capítulo e Versículo.
Exemplo: Jo 10,10. Esta citação lê-se assim: Evangelho de São João, capítulo dez, versículo dez.
* - A vírgula ( , ) separa o capítulo do versículo.
Exemplo: Jo 6,50 = Evangelho de São João, capítulo seis, versículo cinqüenta.
* - O ponto ( . ) indica um pulo entre os versículos.Neste caso, lê-se o número que vem antes e depois do ponto.
Exemplo: Jo 1,3.9 = Evangelho de São João, capítulo um, versículos três e nove.
* - O traço ( - ) indica que devemos ler de um versículo até o outro.
Exemplo: Jo 17,20-26 = Evangelho de São João, capítulo dezessete, versículos de vinte a vinte e seis. O traço pode também indicar uma seqüência de capítulos.
Exemplo: Jo 17,20-18,12 = Evangelho de São João, do capítulo dezessete, versículo vinte, até o capítulo dezoito, versículo doze.
* - O ponto e a vírgula ( ; ) separam uma citação de outra, ou um livro de outro livro.
Exemplo: Jo 1,5;16,14 = lê-se o versículo cinco do capítulo um e o versículo quatorze do capítulo dezesseis.
Outro exemplo: Jo 1,5;Mt1,22: neste caso, deve-se procurar as duas citações pedidas, uma no Evangelho de São João e a outra no Evangelho de São Mateus.
"Deus no Seu infinito amor, veio ao encontro do homem como seu amigo"
Esta frase é encontrada em diversos livros do Antigo e Novo Testamento. Deus invisível fala aos homens como amigo, convidando à comunhão com Ele, como aconteceu com Adão, Noé, Abraão, Moisés, e cuja revelação progressiva e amorosa culmina no amor de Jesus.
Deus vem ao encontro do homem, quando, a quem, onde, como e porque quer, falando por meio dos homens e à maneira humana.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Introdução à Sagrada Escritura: A unidade da Bíblia
Na aula de hoje o prof. DrºBernardino Henriques falou da unidade da Bíblia e de como o Antigo Testamento se repete no Novo Testamento. Marcou-me, particularmente, algumas passagens lidas e refletidas que partilho aqui convosco:
Sl 22, 1-2.8-10 A Paixão do Justo
"Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste, rejeitando o meu lamento, o meu grito de socorro?(...) Todos os que me vêem escarnecem de mim; estendem os lábios e abanam a cabeça. Confiou no SENHOR, Ele que o livre, Ele que o salve, já que é seu amigo"
Importa ler os Evangelhos de Marcos e analisar o paralelismo para perceber como Deus foi modelando o seu povo e o encaminhando.
No livro "No limiar da Bíblia", da autoria do DrºBernardino Henriques, encontramos um apontamento inédito, gentilmente cedido pelo autor, que demonstra como todos os livros da Bíblia apontam para uma realidade única e irrepetível, histórica e escatológica, Jesus Cristo. A Bíblia como História da Salvação Humana apresenta-nos duas vertentes - a humana, resumida nos três primeiros capítulos do livro Génesis; e a divina - contida nos dois últimos capítulos do Apocalipse. Ou seja, há como que um iniciar e encerrar coma mesma ideia, num todo harmonioso cujo paralelismo põe em relevo a vida, a presença de Deus e a alegria.
Vale a pena ler todo o livro e refletir bem a "maravilhosa inclusão" da qual vos deixo um pequeno excerto:
Gn 2, 1-4: "Foram assim terminados os céus e a terra e todo o seu conjunto"
Ap 21, 1: "Vi, então, um novo céu e uma nova terra; pois o primeiro céu e a primeira terra haviam desaparecido"
Sl 22, 1-2.8-10 A Paixão do Justo
"Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste, rejeitando o meu lamento, o meu grito de socorro?(...) Todos os que me vêem escarnecem de mim; estendem os lábios e abanam a cabeça. Confiou no SENHOR, Ele que o livre, Ele que o salve, já que é seu amigo"
Importa ler os Evangelhos de Marcos e analisar o paralelismo para perceber como Deus foi modelando o seu povo e o encaminhando.
No livro "No limiar da Bíblia", da autoria do DrºBernardino Henriques, encontramos um apontamento inédito, gentilmente cedido pelo autor, que demonstra como todos os livros da Bíblia apontam para uma realidade única e irrepetível, histórica e escatológica, Jesus Cristo. A Bíblia como História da Salvação Humana apresenta-nos duas vertentes - a humana, resumida nos três primeiros capítulos do livro Génesis; e a divina - contida nos dois últimos capítulos do Apocalipse. Ou seja, há como que um iniciar e encerrar coma mesma ideia, num todo harmonioso cujo paralelismo põe em relevo a vida, a presença de Deus e a alegria.
Vale a pena ler todo o livro e refletir bem a "maravilhosa inclusão" da qual vos deixo um pequeno excerto:
Gn 2, 1-4: "Foram assim terminados os céus e a terra e todo o seu conjunto"
Ap 21, 1: "Vi, então, um novo céu e uma nova terra; pois o primeiro céu e a primeira terra haviam desaparecido"
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