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domingo, 27 de janeiro de 2013

Liturgia: apontamentos e resumos


Liturgia, a primeira escola de fé
Carta Pastoral por ocasião do Ano da Fé, D. José Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda

A Liturgia é a primeira e grande escola permanente da fé e da vida espiritual porque aí a Igreja celebra sempre o mesmo e único mistério de Cristo. Trata-se de uma ciência e uma arte de tornar os ritos e as orações profundamente comunicativos.
A Constituição Sacrosantum Concilum (SC) dá especial atenção à Sagrada Liturgia. Mas o que se entende por Liturgia? É a ação da Igreja em que se torna presente Cristo, a ação salvífica de Cristo na Igreja. Assim, o centro da Liturgia é a Páscoa de Cristo, o mistério de Cristo como história da Salvação. A Liturgia é a fonte pura e perene de água viva da qual cada pessoa sedenta pode haurir gratuitamente o dom de Deus (cf. Jo 4,19).
A Constituição sobre a Sagrada Liturgia salienta que através da Liturgia e mediante o conjunto de sinais visíveis e eficazes do culto da Igreja se exercita a obra sacerdotal de Cristo, ou seja, a santificação do homem e a glorificação de Deus.
Podemos afirmar que a Liturgia representa a fonte e ponto culminante da ação da Igreja. Usando a imagem descrita pelo Papa João XXIII podemos dizer que a Liturgia é como a fonte da aldeia à qual todas as gerações vêm beber a água sempre viva e fresca. É também ponto culminante porque toda a atividade da Igreja tende para a comunhão de vida com Cristo. É na Liturgia que a Igreja se manifesta e comunica aos fiéis a obra da Salvação, realizada por Cristo de uma vez para sempre.
A Liturgia é a Igreja em oração. Ao celebrar o culto divino, a Igreja exprime aquilo que é: una, santa, católica e apostólica. É a fé celebrada nos momentos mais sagrados, é a Bíblia rezada, a espiritualidade da Igreja atuada e o vértice e fonte de toda a ação pastoral da Igreja.

1.      Constituição sobre a Sagrada Liturgia
Sacrosantum Concilium diz-nos que a Liturgia é a atualização da história da salvação e a sua celebração permanente. A dimensão histórica expressa-se no anúncio profético do Antigo Testamento e no acontecimento real do Novo Testamento. O Hodie litúrgico atualiza o passado e antecipa o futuro. Procura-se passar do memorial (anamnésis) à invocação a Deus para que envie o Seu Espírito (epiclésis). O Hodie litúrgico refere-se ao eterno Hoje da Liturgia em que se torna presente o único e o mesmo mistério de Cristo.
Celebra-se a obra da redenção, ou seja, o plano histórico-salvífico realizado pelo Pai, em Cristo, por obra do Espírito Santo em benefício dos fiéis incorporados na Igreja. O mistério continuamente celebrado é uma celebração sacrificial e memorial que se atualiza e opera na obra redentora. Os grandes fundamentos teológico-litúrgicos saídos da Sacrosantum Concilum são:

1.1.O exercício do sacerdócio de Cristo

Quem preside à Liturgia é Jesus Cristo. Aquele que preside, preside na pessoa de Jesus Cristo pelo ministério que lhe foi atribuído pelas mãos da Igreja, é mandatado pela Igreja em nome de Deus – mandato apostólico proveniente do sucessor de Pedro; age por ação do Espirito Santo.

1.2.Liturgia como vértice e fonte da vida cristã;

1.3.A participação plena, consciente e ativa;

A participação é um direito e um dever, pertence ao caráter batismal. O participar significa transcender e ultrapassar o âmbito semântico-ritualista para penetrar no coração da ação litúrgica. Os participantes são os fiéis, que se tornam atores e ministros da própria celebração. Participa-se quando as pessoas estão envolvidas e interagem entre elas diante do ministério das três pessoas da Santíssima Trindade.

1.4.A epifania da Igreja

A Liturgia é a Igreja em oração e as ações litúrgicas o sacramento de unidade, isto é, o Povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos

1.5.A unidade substancial e a adaptação litúrgica às culturas

A Igreja é comunhão, unindo diversidade e unidade, pelo que tem de assumir tudo o que é de positivo que se encontra em todas as culturas.

1.6.A sã tradição e o progresso legítimo

A Liturgia compõe-se de uma dupla realidade: uma invisível, imutável e eterna; outra humana, visível e suscetível de modificação. Assim, o que se pretende é uma renovação (progresso) na linha de uma sempre viva Tradição (transmissão contínua da fé) que consinta um desenvolvimento orgânico.
O invisível, imutável e eterno, a celebração do mistério salvífico de Cristo, é expresso na Liturgia por sinais, símbolos e ritos, remetendo sempre para elementos naturais. Os símbolos remetem para o restabelecimento da unidade de algo já existe. A Igreja identifica-se pelo símbolo apostólico – Credo.
Os sinais realizam o que simbolizam, remete para o invisível. Os sinais da Igreja são os sacramentos.
Os ritos são formas importantes de símbolos religiosos que remetem para uma vivência particular e organizada de forma comunitária.
A Liturgia é um rito repetido várias vezes. Na ritualidade cristã há algo que é constante: Cristo é o seu fundamento. Não deve ser improvisada.

1.7.A língua

A questão da língua relaciona-se com o valor pastoral e didático da Liturgia, no sentido de favorecer a participação ativa e consciente dos fiéis na Liturgia.

1.8.A presença da Palavra de Deus

Não existe nenhuma ação litúrgica sem a Palavra, pois o que se lê na Escritura é o mesmo que se realiza na Liturgia. A Bíblia é o elemento essencial da Liturgia, dado que a Liturgia é a Bíblia transformada em palavra proclamada e em palavra rezada e atualizada. Desde os inícios da Igreja que a leitura das Escrituras é parte integrante da Liturgia.

1.9.A formação litúrgica

A formação litúrgica está intimamente ligada à participação ativa dos fiéis, pois trata-se de uma verdadeira pastoral no sentido de educar à participação, de ser uma ciência e uma arte de tornar os sinais da Liturgia profundamente comunicativos e de ser um momento de reflexão sistemática sobre a atividade litúrgica da Igreja.
1.10.        O canto e a arte sacra

O canto e a música desempenham a função de sinais e devem expressar a beleza da oração, a participação unanime da assembleia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração. O valor artístico deve servir como alimento da fé e da piedade dos homens de hoje, pelo que devem primar pela nobre simplicidade e pela beleza.

Liturgia – primeira escola de fé

A Liturgia realiza uma aprendizagem da fé, não apenas racionalmente, mas pelos sentidos, pois é um mistério que se escuta, vê, toca, saboreia e cheira. A Liturgia deve, por isso, ser séria, bela, simples, experiência do mistério e narração da perene aliança de Deus com os homens; equilíbrio entre a Palavra e o Sacramento – equilíbrio entre a palavra, o canto, o silêncio e o rito.

A Liturgia vive dos Sacramentos, estes celebram a ação salvífica de Cristo na Igreja nascida da Páscoa. O centro da celebração dos sacramentos é o Mistério da Páscoa de Cristo.

Sacramento é um sinal percetível pelos sentidos, é uma ação significativa feita de palavras e gestos que realiza o que significa. São sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais nos é dada a vida divina. Os ritos visíveis com os quais são celebrados os sacramentos, significam e realizam as graças próprias de cada sacramento e dão fruto naqueles que os recebem.

A Igreja age nos sacramentos como uma comunidade sacerdotal, organicamente estruturada:
  • ·         Pelo Batismo e pela Confirmação, o povo sacerdotal torna-se apto a celebrar a Liturgia;
  • ·         Pela Eucaristia, pela participação no sacrifício Eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, os cristãos oferecem o sacrifício divino e a si mesmos com Ele
  • ·         Pela Penitência obtêm a misericórdia de Deus e o perdão das ofensas;
  • ·         Pela Unção dos Doentes e a oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda dos doentes ao Senhor;
  • ·         Pela Ordem certos fiéis ficam instituídos em nome de Cristo para apascentar a Igreja com a palavra e graça de Deus; Pelo Matrimónio, os cônjuges cristãos auxiliam-se mutuamente para a santidade.

A Liturgia dos sacramentos é composta de sinais e de símbolos do mundo dos homens, conferindo-lhes a dignidade de sinais de graça. Em cada celebração sacramental realiza-se o encontro dos filhos de Deus com o seu Pai, em Cristo e no Espírito Santo, que se processa através de ações e de palavras “por ritos e orações”. No sacramento a Verbo torna-se visível. A instituição dos sacramentos deve entender-se como uma ação de Cristo que realiza a salvação. O evento pascal é o momento histórico da salvação, no qual Deus por Cristo institui o mistério pascal. Em Cristo cumpre-se verdadeiramente a Páscoa.
O Catecismo da Igreja Católica divide os sacramentos em três grandes blocos:
  •      Sacramentos de Iniciação Cristã (Batismo, Confirmação e Eucaristia);
  • Sacramentos de Cura (Reconciliação e Unção dos Doentes)
  • 3     Sacramentos ao Serviço da Comunhão (Ordem e Matrimónio)

Esta ordem segue a vida dos cristãos, na analogia de fases e momentos mais importantes – nascimento e crescimento, cura e missão à vida da fé dos cristãos.
É sempre Cristo quem batiza, quem casa, quem perdoa, é sempre Cristo o liturgo primeiro de todos os sacramentos – uma coisa é o que vedes, outra é o que tendes de ver, o invisível, Cristo.
Os sacramentais são sinais sagrados que significam realidades, sobretudo de ordem espiritual, e se obtêm pela oração da Igreja. De entre todos os sacramentais assumem particular relevância a celebração das bênçãos e exéquias.

A Igreja em Oração

A Igreja é o sujeito da Liturgia. A oração da Igreja é sempre um dom de Deus e é realizada pela comunidade cristã, reunida aqui e agora. O fundamento teológico da oração é a presença de Cristo em nós, o objeto e sujeito da oração litúrgica é Cristo.
Jesus Cristo deixou-nos um mandamento- “Orai sem cessar”, “vigiai e orai”; um documento – o Pai Nosso; e um exemplo – a Sua vida.
A oração litúrgica é a participação na oração de Cristo dirigida ao Pai no Espirito Santo. Rezar é uma arte.
“Senhor, estou aqui diante de Ti, à espera de nada” (oração Taizé)
Devemos rezar em Deus.
Na oração, o silêncio reveste-se de particular importância, é parte integrante da celebração litúrgica. No ritmo da celebração é necessário o recolhimento, a interiorização e a oração interior. Juntamente com a palavra e o canto, o silêncio é outra das grandes dimensões simbólicas da Liturgia. O cristão é convidado a passar à espiritualidade do silêncio como dimensão contemplativa da vida.
A Igreja reconhece na Liturgia a fonte de oração.
São Bento organizou a Liturgia das Horas para celebrar o Mistério de Cristo na vida quotidiana, designa a oração pública e comunitária.
A Liturgia das Horas tem a característica de santificar o curso do dia e da noite, por isso, está intimamente ligada ao ritmo do tempo, porque a própria Liturgia se insere no tempo e celebra o tempo da salvação.

Espiritualidade Litúrgica

A vida cristã requer sempre uma vida espiritual que não pode existir sem a Liturgia. A Liturgia celebra Jesus Cristo, o mistério da fé. Não é um rito, é um atos – lugar apropriado, específico, lugar de vida, primeira escola de fé. A espiritualidade não se ensina, aprende-se e experimenta-se. À pergunta dos discípulos –“onde moras?”, Jesus responde, “vinde e vede”; é um convite permanente para a comunicação plena e o seguimento definitivo de Cristo.
A vida espiritual cristã é a união do homem com Deus. O Pai é a fonte e o fim da Liturgia. Cristo significa e realiza na Liturgia o Seu mistério pascal e age pelos sacramentos. A missão do Espirito Santo na Liturgia é preparar para o encontro com Cristo e tornar presente a obra salvífica de Cristo pelo dom da comunhão da Igreja orante.

Ano Litúrgico

O ano é tido como a unidade mais longa do tempo e dos homens, seguindo o ritmo cíclico da terra à volta do sol. Partindo do dia de Páscoa como fonte de luz, o Ano Litúrgico não é um calendário de festas, mas o desenrolar dos diferentes aspetos do único mistério de Cristo. No seu conjunto, o Ano Litúrgico é imagem e sinal sacramental do plano eterno de salvação, que inclui o mistério de Cristo.
Com o tempo do Advento e da manifestação do Senhor inaugura-se o novo Ano Litúrgico. Segundo os livros litúrgicos da Liturgia romana, o Ano Litúrgico começa no primeiro domingo do Advento e termina no sábado posterior à solenidade de Cristo Rei do universo.
Esta noção desenvolveu-se lentamente como um todo, em torno de dois eixos fundamentais: a Páscoa e a sua preparação (Quaresma); e a partir do século IV, o Natal e a sua preparação (Advento), tendo ainda em conta os grandes ciclos cósmicos (lunar e solar).
O Ano Litúrgico integra em cada semana o dia do Senhor  - o Domingo, e, anualmente, a solenidade da Páscoa e as restantes festas.
Nos diversos tempos do ritmo anual da Liturgia, a Igreja recorda todo o mistério de Cristo, venera a Virgem Maria e comemora os mártires e os santos. A Liturgia não celebra temas, celebra sempre Cristo e as diversas dimensões da vida de Jesus e da Igreja.
A coordenada tempo é a categoria dentro da qual se opera a salvação. Deus entrou no tempo e bafejou-o de eternidade; não é uma noção nem se entende em termos de cronologia, mas antes como manifestação do tempo propício dos eventos salvíficos que ritmam a existência temporal.
O que aconteceu de uma vez para sempre na vida histórica de Jesus, torna-se sacramentalmente presente à Sua Igreja cada vez que se cumpre o imperativo evangélico – “Fazei isto em memória de Mim”.
Ao longo do Ano Litúrgico proclama-se Cristo como toda a amplitude do mistério pascal, por meio do anúncio da Palavra, da celebração ritual-sacramental em determinados dias e tempos de festa, especialmente ao Domingo, que é o fundamento e centro de todo o Ano Litúrgico e dia de festa primordial.
O Ano Litúrgico celebra o mistério de Deus em Cristo, porquanto está radicado sobre aquela série de eventos mediante os quais Deus entrou na história e na vida do homem.

O Domingo

O Domingo celebra-se desde as origens do Cristianismo como acontecimento originário e distintivo. Os testemunhos mais antigos são os textos neotestamentários dos Atos dos Apóstolos e apresentam a celebração do Domingo, dia do Senhor, ligada ao acontecimento da Páscoa. Este dia era o primeiro da semana hebraica no qual os cristãos se reuniam para a fração do pão. O Domingo é o fundamento e o centro de todo o Ano Litúrgico, o principal dia de festa a propor e inculcar no espírito dos fiéis, festa porque é uma celebração comemorativa dos acontecimentos realizados por Deus em favor do homem na história.
Todo o Ano Litúrgico decorre em terno de um único mistério, o da morte e Ressurreição de Cristo, no qual a Igreja vive continuamente.
O Domingo carateriza-se sobretudo pela celebração da Eucaristia, na qual a família de Deus, reunida para escutar a palavra da salvação e participar no pão da vida, celebra o memorial do Senhor ressuscitado, na esperança do domingo que não tem ocaso. No entanto, se não for possível a participação na celebração eucarística por falta de ministro sagrado ou por outra causa grave, recomenda-se que os fiéis tomem parte na Liturgia da Palavra ou consagrem tempo conveniente à oração pessoal ou em família ou em grupos de família, conforme a oportunidade, (Código do Direito Canónico).
Ministérios na Liturgia
Os vários ministérios operantes no interior da celebração, para o bem do povo de Deus, não são funções de poder mas de diaconia que deriva do sacerdócio de Cristo. A regra de ouro é “fazer tudo e só o que é da sua competência, segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas” (Sacrosantum Concilium).
Podemos distinguir: ministérios ordenados e ministérios instituídos. Há ainda os ministérios não instituídos, que são as inumeráveis formas espontâneas de serviço, de culto, de catequese, de caridade, com os quais a Igreja é rica em virtude e dom do Espírito Santo.
Ministérios ordenados: são um serviço permanente dentro do sacramento da Ordem e são os bispos, os presbíteros e os diáconos. Tratando-se dos Apóstolos e dos seus sucessores, constituem a hierarquia eclesial.
Ministérios instituídos: são serviços eclesiais que a Igreja confere com um rito próprio, na base de atitudes, da preparação e do testemunho cristão, aos fiéis para assumirem funções especiais na comunidade; como o leitor e acólito para o serviço da Palavra, da Eucaristia e dos Sacramentos.
O leitor proclama a Palavra de Deus, a sua presença e o seu ministério são a resposta da Igreja ao mandato recebido: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a todas as criaturas”, Mc 16,15.
O acólito resume em si grande parte das funções que realizava o subdiácono e que pertencem ao ministro extraordinário da comunhão.

Homilia

A homilia é parte integrante da celebração, faz com que a Palavra proclamada se atualize.
“Se pregando o que não fazem, os oradores são úteis a um grande número, sê-lo-iam muito mais se fizessem o que dizem”, Santo Agostinho.

Lectio Divina

A leitura orante da Bíblia torna a Palavra de Deus percetível à fé através do sinal de palavras e gestos humanos.

O Lugar de Celebração

O Cristianismo tem casas dedicadas em que a Igreja se realiza como tal: assembleia santa convocada por Deus para a celebração da Aliança mediante a palavra e o sacramento. O lugar em que a igreja e os cristãos se incorporam em Cristo pela oração, pela Palavra e pelos sacramentos, é um lugar sagrado.
O lugar de celebração é muito mais do que um edifício, é a casa para a assembleia do povo de Deus. A Liturgia realça a centralidade do altar, figura de Cristo, sacerdote, altar e cordeiro do próprio sacrifício realizado de uma vez por todos.
altar é o fulcro da celebração litúrfica e evidencia a sua profundidade cristológica.
É determinante a ordenação do espaço sagrado em função do trinómio: altar – ambão – sede. À volta destes três elementos congrega-se a assembleia, comunidade de escuta da Palavra de Deus, comunidade orante e comunidade que vive dos sacramentos.
O altar cristão tem a sua origem específica na mesa da Última Ceia. É nessa mesa que Jesus coloca o Seu corpo e sangue nas espécies de pão e vinho, qual realização do sacrifício profético do cordeiro pascal. A mesa convivial é também sacrificial. É o próprio Deus que se oferece ao homem.
É no ambão que a Palavra é proclamada com solenidade, para que seja escutada, meditada e motivo de ação. 
O ambão e o altar convergem numa única realidade litúrgica da qual parte a ação salvífica. O sacerdote é o sinal sacramental de Cristo presente, por isso a cadeira está presente – preside na pessoa de Jesus Cristo.
Outros elementos

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Introdução à Liturgia

Para a unidade curricular - Introdução à Liturgia é recomendada a leitura da Carta Pastoral da autoria do Exmo D. José Cordeiro, sob o título "Liturgia, a primeira escola de fé".

sábado, 8 de dezembro de 2012

A Infância de Jesus


A infância de Jesus é o tema abordado no último livro lançado pelo Papa Bento XVI e apresentado ontem em Bragança por D. José Cordeiro, bispo diocesano, que, ao mesmo tempo, fez como que uma introdução à primeira aula de Liturgia no âmbito do curso de Ciências Pastorais do reativado Instituto Diocesano de Estudos Pastorais (IDEP).
Segundo D. José, esta obra do Papa Bento XVI, Joseph Ratzinger, é um precioso contributo para a vivência do Advento, fruto de uma pesquisa pessoal bastante aprofundada e que se insere numa espécie de conjunto tríptico da história de Jesus, num sentido de leitura teológica, como fizeram outros grandes teólogos.
A Infância de Jesus surge, assim, como um pequeno "pórtico" ou "sala de estudo" cujo tema central é a verdade da fé: Jesus é plenamente homem e plenamente Deus. Recorde-se que o primeiro livro deste "tríptico" é um olhar sobre o ministério de Jesus desde o Batismo à Transfiguração e o segundo sobre o itinerário de Jerusalém à Ressurreição.
A intenção do Papa é, assim, ressituar a leitura da Bíblia e a leitura teológica da mesma. É na Liturgia que a Escritura passa a ser Palavra de Deus, devendo ler-se a partir de Jesus Cristo. Aliás, todos os 72 livros da Sagrada Escritura se resumem a Jesus de Nazaré e o Papa usa essa ideia começando a obra a partir do mistério da Páscoa, pois só aí é inteiro. O Natal, que só passou a celebrar-se a partir do século IV, é manipulável, é uma data em que, por vezes, fazemos Deus à nossa imagem. Neste aspeto, esta obra não vem dizer nada de novo e muitos dos aspetos que têm sido realçados como "maiores", não passam de detalhes.
A infância de Jesus trata de uma criança mas é um livro para adultos, adultos na fé. É um livro de investigação acerca de Jesus que parte dos Evangelhos de Mateus e de Lucas, Evangelhos que são história. Esse é um dos aspetos que distingue o Cristianismo - Deus fez-se homem, não filosofia ou teologia, e este é o maior desconcerto da fé. A história de Jesus não é o "era uma vez", aconteceu mesmo, num tempo geográfico, tocando o universal e transcendente.
Esta é, portanto, uma obra que concilia harmoniosamente a história e a fé.

A Anunciação a Maria

Há um capítulo do livro que é dedicado a este tema. D. José quis destacar a obediência de Maria na abertura a Deus, mas também Deus que esperou a resposta de uma rapariga. O eterno, o "kairos", beijou o tempo no seio de Maria e isto é interessante porque, muitas vezes, as pessoas pensam Deus de uma forma quase irracional e "caricaturada", um Deus em que não se pode acreditar. A pretensão do homem é ser Pai de Deus quando o conceito de fraternidade, tão propagado pela Revolução Francesa, ao pressupor que somos todos irmãos, pressupõe que temos um mesmo Pai - e isto é uma questão de inteligência, embora Deus ultrapasse a nossa inteligência.
Na verdade, só Maria podia testemunhar a Anunciação pois só Ela a viveu. É como que uma nova Criação, ao sexto mês, numa correspondência com o sexto dia - criação do homem.
A alegria aparece aqui como um dom do Espírito Santo.A alegria de Maria era uma fé a caminho. A Sua vida é uma peregrinação na fé. Maria aparece como a grande crente. E Deus é simples, dá-nos assim um sinal da Nova Aliança, na alegria. Mas esta é uma pequena semente, como um grão de mostarda, idêntico ao que as irmãs um dia ofereceram a D. José.
Por vezes, queremos ver tudo construído rapidamente, esquecemos que o tempo de Deus não é o nosso tempo, é um grão de mostarda. É preciso semear muito para colher algo. Também a Igreja começou numa crise de esperança em que a atitude de Jesus foi como um grão de mostarda escondido, escondido, ainda por cima! Exige a nossa colaboração, o mais difícil pois achamos que já fazemos tanto e fazemos tão pouco. Mas se abrirmos a porta a Deus estamos a abrir a porta a nós próprios, ainda que seja difícil. 
Não esqueçamos que Maria foi uma mulher corajosa, pois se José não correspondesse, seria apedrejada até à morte, assim eram as leis na Mesopotâmia. 

José

José nem sempre é lembrado e tem um papel primordial e dá um exemplo que devemos ter sempre presente na nossa vida. Também ele foi corajoso, mostrando profundidade espiritual. Tinha razões para não aceitar Maria, estava protegido pela lei e todos estariam do seu lado, contra Maria.
José é visitado por um anjo em sonhos, mas num sonho que é realidade. José é obediente, decidido e pragmático. Recorde-se que São José, por persistência do Papa João XXIII, é padroeiro do Concílio Vaticano II, tendo daí surgido a oração a São José.

Relação do Natal e da Páscoa

Tanto na virgindade de Maria como na ressurreição de Jesus o critério de fé baseia-se na Páscoa e o seu mistério é todo o mistério de Jesus. Jesus Cristo é a plenitude. As Suas palavras ultrapassam a nossa inteligência. 
Algumas pessoas acomodam-se na "santa ignorância", o "oitavo sacramento" se assim quisermos. Devemos fazer tudo ao nosso alcance para criar esta oportunidade de ter uma fé esclarecida e convita, que se compromete com a vida, para lhe dar sentido. Não se chega lá só pela perceção inteletual, é preciso praticar com os outros, dando razões da nossa esperança. A fé são gestos e esperança, não apenas palavras. A esperança não é apenas uma ideia, a esperança é uma pessoa, é Jesus Cristo. Só esta fé transforma o coração e a vida e não apenas conjunturas inteletuais. 
"Não temos ouro, nem prata, mas temos a Esperança em pessoa para oferecer - Jesus Cristo". Não são teorias, é o Mistério, não é um enigma.
O Natal tem uma influência franciscana importante em que a representação do presépio, iniciada por São Francisco de Assis, veio sublinhar a humanidade de Jesus Cristo, com a encenação ao vivo e a participação de animais, levado quase a um exagero. Não é preciso por tudo isto de lado, podemos e devemos continuar a promover esta pastoral do Natal, mas sem esquecer que sem Páscoa, sem Eucaristia, não há Natal.
Tem que haver uma integração num único Mistério - Jesus Cristo.
A Páscoa é um sacramento, o Natal é uma celebração. Devemos procurar celebrar num ciclo de um ano a vida de Jesus a começar pela Anunciação, Nascimento, Páscoa e Ressurreição. 
Temos de desmistificar e centrarmos-nos em Jesus Cristo e na historicidade. O relato dos discípulos de Emaús é a prova da Ressurreição, eles convenceram-se que era verdade e deram a vida. Temos também nós de ser coerentes e seguir esse exemplo.
Faltam adultos que testemunhem os valores e que testemunhem de forma credível. Esta tem sido uma das falhas da Igreja. É preciso evangelizar e redescobrir a fé. O problema nem está na formação, está na missão, na atitude da missão. É preciso provocar a inquietação e não apenas ir à missa ao Domingo, isto não é o suficiente. É preciso aprofundar as razões da fé e passar o testemunho. A fé, antigamente, dizia-se até, transmitia-se pelo leite materno, aprendia-se em casa o Credo, aprendia-se em casa, na igreja e na escola. É preciso promover a interdisciplinariedade e criar um ambiente de fé.
O importante, acima de tudo, é semear o grão de mostarda para que ele esteja lá. Pode-se cair do cavalo, pela vida, mas esse não é o processo natural de Deus.
Quantos de nós vivemos a nossa vida à luz do Evangelho? É preciso viver um cristianismo convito e não apenas sociológico. Viver à luz do Evangelho é viver de acordo com os valores da doutrina social cristã. 
Faltam adultos que testemunhem os valores humanos e cristãos. Herdamos a Igreja que temos, mas que Igreja vamos deixar? A Igreja tem de dialogar com as outras estruturas, a Liturgia tem de ser bem preparada para transmitir beleza e simplicidade. 
Os leigos também precisam de estar bem preparados porque depressa passamos da fé à ideologia, embora seja fácil saber até onde vai a nossa missão, cada um deve fazer tudo e só o que lhe compete. Tem de haver diversidade, exigência e não apenas rituais. A liturgia é uma ética e é, por isso, espiritualidade. Se não estiver convencido, como posso ajudar outros à conversão? Posso facilitar o caminho a outros se eu já me encontrei para testemunhar, mas ninguém dá aquilo que não tem.
É, por isso, curioso pensar que a Igreja nunca esteve tão bem na sua história, mas não é aqui que está bem. Não temos a mesma pujança de fé, envergonhamos-nos perante outras comunidades espalhadas pelo mundo. Isto tem de nos interrogar. É preciso testemunhar melhor, com autenticidade e inteireza de ter descoberto a felicidade e o máximo das nossas vidas.

Texto baseado na reflexão de D. José Cordeiro, bispo da diocese de Bragança-Miranda

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Propostas para o Ano da Fé, por D. José Cordeiro


O bispo de Bragança-Miranda, D. José Manuel Cordeiro, acaba de lançar um novo livro com doze propostas para ajudar os fiéis a viverem melhor o Ano da Fé que a Igreja Católica está a promover. 
A obra, intitulada “Fé acreditada, Fé rezada”, procura contribuir para uma crença católica “próxima do ritmo litúrgico e esperançosamente inscrita na vida quotidiana”. 
As sugestões incluídas na publicação “tanto podem ser seguidas integralmente como servir de apoio e inspiração às dinâmicas celebrativas dos diversos grupos e comunidades eclesiais”, acrescenta. 
O projeto de D. José Cordeiro, com a chancela da editora PAULINAS, vai ser posto à venda em Bragança na próxima semana, na Casa de Santa Clara (mais conhecida por Casa do Arco). 
No lançamento do Ano da Fé na sua comunidade, a 14 de outubro, o bispo sublinhou a necessidade de “educar” as pessoas para a “participação” na liturgia, considerando este objetivo “um enorme desafio” para a Igreja. 
O especialista em Liturgia salientou ainda que “a espiritualidade não se ensina, aprende-se e experimenta-se”, incentivando os fiéis a uma maior atenção ao cumprimento dos sacramentos, que “têm a função de santificar, de edificar a Igreja”, à “oração”, sinal da “relação com Deus vivo e verdadeiro” e à prática da “caridade, elemento imprescindível para a verdade do culto cristão”. 
Nesse âmbito, o prelado apresentou três obras, uma dedicada aos mais novos, “Youcat, orações para jovens”, outra intitulada “Liturgia, a primeira escola da fé”, e uma terceira sobre o 50.º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II (1962-1965), “Vaticano II, 50 anos, 50 olhares”. 
Com o livro “Fé acreditada, Fé rezada”, D. José Cordeiro remete os fiéis para temáticas como o crescimento na fé, a importância do “testemunho credível” e “a novidade da Páscoa”. 
O Ano da Fé, convocado por Bento XVI, teve início no dia 11 de outubro, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II e vinte anos após a publicação do Catecismo da Igreja Católica, e vai decorrer até novembro de 2013.