Mostrar mensagens com a etiqueta Jesus Cristo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jesus Cristo. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Apontamentos Revelação e Fé: sobre as causas da condenação e execução de Jesus


As causas da condenação e morte de Jesus são múltiplas e podemos invocar três: interesses dos judeus que se sentiam ameaçados; imagem escandalosa de Deus; reivindicação da autoridade Messiânica e Divina.
Jesus estava profundamente ancorado na tradição de Israel, lia a Torah e frequentava a Sinagoga mas, pelos critérios e valores que defende, pela denúncia do pecado individual e colectivo torna-se um desafio e uma ameaça aos sacerdotes judeus: saduceus e fariseus. Jesus choca com a ambição, vontade de poder e desejo de prestígio, bem como com o fanatismo, hipocrisia e pseudo-religiosidade dos fariseus e “doutores da lei”. Muitos acreditavam em Jesus mas por cobardia, por temor de desagradar à mentalidade reinante e dominadora, por amarem mais a glória dos homens que a Glória de Deus, escondem-se.
Ao mesmo tempo, a mensagem de Jesus e a imagem que nos dá de Deus e do Seu Reino é profundamente escandalosa. Deus é justo e bom, misericordioso, oferece o Perdão a todos os homens e vida nova no Reino de Deus. A imagem de Deus universal e amigo é insuportável para a consciência pervertida dos saduceus e fariseus.
Israel esperava um Rei de prestígio e poder, vingador e Jesus apresenta e inaugura um Reino humilde, pobre, modesto, um reino de serviço, de perdão e amor incondicional. Jesus reivindica a sua condição messiânica e divina, concedendo o perdão em nome próprio. Chama Abba, Paizinho a Deus.
Estes vão ser os argumentos para a condenação e execução de Jesus.

Apontamentos Exame Revelação e Fé


Jesus de Nazaré um Messias diferente, tem a tripla dimensão de Sacerdote, Profeta e Rei. 
Jesus é, de facto, um Messias diferente. É o profeta esperado quer pela palavra, quer por sinais, revela-Se à multidão. Levava a vida típica de mestre e pregador itinerante, calcorreando a Palestina do seu tempo. Frequentava o templo e ali ensinava, conhecia a lei mas aprofundava-a, incutindo novos valores morais. A sua palavra, eloquente e poderosa, é acompanhada por Sinais, o que O mantém na tradição dos profetas de Israel e, ao mesmo tempo, O diferencia como O profeta esperado, universal, sendo, por isso, um profeta tradicional e inovador.
É Rei embora o seu Reino não seja deste mundo. É descendente de David, conforme esperava o povo de Israel, mas é um rei pobre, não violento, que convive com a escória da humanidade. A lei do Reino é o Serviço.
Jesus é também Sacerdote, Sumo-Sacerdote, por vontade de Deus, desde a sua conceção e nascimento – representa publicamente a comunidade perante Deus e oferece-Se a Si próprio como vítima, num ato de redenção e amor aos homens, para salvação da humanidade.

Exames: apontamentos

A encíclica Proventissimus Deus é do Papa Leão XIII. Foi publicada em 1893 e é o primeiro grande documento da Igreja sobre a Bíblia na época moderna. "Marca a hora do acordar da Igreja para a importância da Palavra de Deus". Não impede nem contraria as pesquisas da ciência bíblica, mas ainda dexa muito a desejar ao referir-se à assistência do Espírito Santo como um "ditado" aos hagiógrafos.

Richard Simon foi o grande impulsionador da crítica bíblica. Cedo se iniciou na literatura talmúdica e rabina, tornando-se independente e um estudioso da matéria. Richard foi inovador, no conturbado século XVII, ao afirmar, sobre a Inspiração, que houve homens que foram instrumentos de Deus mas, por serem profetas, não deixaram de ser homens, embora guiados pelo Espírito Santo.
Dizia, ainda, que não se pode ler a Bíblia com fruto sem se estar instruído sobre a crítica do texto, pois para entender bem os Livros Sagrados é necessário saber sobre os diferentes estados em que os livros foram encontrados, em que tempo e lugares foram escritos, bem como saber sobre as possíveis modificações sofridas.
Foi ele o primeiro a defender a tese de que o Pentateuco não é da autoria de Moisés na totalidade, até pelo número de repetições e pela diversidade de estilos.
Adiantando-se três séculos aos ensinamentos do Concílio Vaticano II afirmou que Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e Magistério da Igreja estão entrelaçados e associados de tal forma, que uns sem os outros perdem consistência.
O seu pensamento, no entanto, era demasiado inovador à época, e foi condenado tanto por católicos como protestantes, tendo as suas obras sido condenadas no Parlamento de Paris.

A revelação é natural e sobrenatural e implica mistério, pois revelação implica descobrir, tirar o véu. Se Deus não fosse mistério, não havia necessidade de revelar-Se e essa revelação é natural e sobrenatural.
É natural porque acessível à razão, podemos constatar pela criação e por tudo o que nos rodeia. Mas esta é uma revelação limitada, só completada pela revelação sobrenatural que se concretiza no mistério de Jesus Cristo. Os homens têm acesso ao Pai e são tornados participantes da natureza divina. A "revelação" é uma conversa de Deus com os homens, tal como aconteceu com Abraão, Moisés, numa revelação progressiva que culmina com o amor de Jesus aos seus.
Deus é Revelante e Revelado, estabelece com os homens uma relação de Pessoa para pessoa, como de um Pai para o filho.
Não é o homem que descobre Deus, é Deus quem se manifesta ao homem, quando, a quem, como e porque quer. Deus é a absoluta liberdade e manifesta-Se pelos meios que quer, em diversos géneros de expressão.
Deus fala aos homens à maneira humana, pois de outra forma não compreenderíamos. A única resposta válida é a fé.

Cristo é o revelador do Pai, pois proclama a Boa Nova dos Reinos e ensina com autoridade a Palavra de Deus. Se Ele revela é porque conhece os segredos do Pai. Aparece como profeta tradicional e inovador pregando a Boa Nova e a penitência. O povo reconhece-O como o Grande Profeta embora Jesus Cristo não reivindique esse título. Ele conhece a Lei, interpreta-a, corrige-a, aprofundando-a e inculcando nela princípios de uma nova moral. Chama a Deus "Abba".

Sobre os autores da Bíblia, Deus é a origem dos livros bíblicos, mas os humanos são os verdadeiros autores. Há vários autores e têm a sua cultura, a sua forma de se exprimir e comunicar, e é isto que ilustram, que contam e que rezam. Facilmente se percebe pelo teor dos livros que têm autores diferentes, mas Deus agiu sempre inspirando-os.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Introdução à Sagrada Escritura: A unidade da Bíblia

Na aula de hoje o prof. DrºBernardino Henriques falou da unidade da Bíblia e de como o Antigo Testamento se repete no Novo Testamento. Marcou-me, particularmente, algumas passagens lidas e refletidas que partilho aqui convosco:

Sl 22, 1-2.8-10 A Paixão do Justo
"Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste, rejeitando o meu lamento, o meu grito de socorro?(...) Todos os que me vêem escarnecem de mim; estendem os lábios e abanam a cabeça. Confiou no SENHOR, Ele que o livre, Ele que o salve, já que é seu amigo"

Importa ler os Evangelhos de Marcos e analisar o paralelismo para perceber como Deus foi modelando o seu povo e o encaminhando.

No livro "No limiar da Bíblia", da autoria do DrºBernardino Henriques, encontramos um apontamento inédito, gentilmente cedido pelo autor, que demonstra como todos os livros da Bíblia apontam para uma realidade única e irrepetível, histórica e escatológica, Jesus Cristo. A Bíblia como História da Salvação Humana apresenta-nos duas vertentes - a humana, resumida nos três primeiros capítulos do livro Génesis; e a divina - contida nos dois últimos capítulos do Apocalipse. Ou seja, há como que um iniciar e encerrar coma  mesma ideia, num todo harmonioso cujo paralelismo põe em relevo a vida, a presença de Deus e a alegria.

Vale a pena ler todo o livro e refletir bem a "maravilhosa inclusão" da qual vos deixo um pequeno excerto:

Gn 2, 1-4: "Foram assim terminados os céus e a terra e todo o seu conjunto"
Ap 21, 1: "Vi, então, um novo céu e uma nova terra; pois o primeiro céu e a primeira terra haviam desaparecido"

domingo, 27 de janeiro de 2013

Liturgia: apontamentos e resumos


Liturgia, a primeira escola de fé
Carta Pastoral por ocasião do Ano da Fé, D. José Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda

A Liturgia é a primeira e grande escola permanente da fé e da vida espiritual porque aí a Igreja celebra sempre o mesmo e único mistério de Cristo. Trata-se de uma ciência e uma arte de tornar os ritos e as orações profundamente comunicativos.
A Constituição Sacrosantum Concilum (SC) dá especial atenção à Sagrada Liturgia. Mas o que se entende por Liturgia? É a ação da Igreja em que se torna presente Cristo, a ação salvífica de Cristo na Igreja. Assim, o centro da Liturgia é a Páscoa de Cristo, o mistério de Cristo como história da Salvação. A Liturgia é a fonte pura e perene de água viva da qual cada pessoa sedenta pode haurir gratuitamente o dom de Deus (cf. Jo 4,19).
A Constituição sobre a Sagrada Liturgia salienta que através da Liturgia e mediante o conjunto de sinais visíveis e eficazes do culto da Igreja se exercita a obra sacerdotal de Cristo, ou seja, a santificação do homem e a glorificação de Deus.
Podemos afirmar que a Liturgia representa a fonte e ponto culminante da ação da Igreja. Usando a imagem descrita pelo Papa João XXIII podemos dizer que a Liturgia é como a fonte da aldeia à qual todas as gerações vêm beber a água sempre viva e fresca. É também ponto culminante porque toda a atividade da Igreja tende para a comunhão de vida com Cristo. É na Liturgia que a Igreja se manifesta e comunica aos fiéis a obra da Salvação, realizada por Cristo de uma vez para sempre.
A Liturgia é a Igreja em oração. Ao celebrar o culto divino, a Igreja exprime aquilo que é: una, santa, católica e apostólica. É a fé celebrada nos momentos mais sagrados, é a Bíblia rezada, a espiritualidade da Igreja atuada e o vértice e fonte de toda a ação pastoral da Igreja.

1.      Constituição sobre a Sagrada Liturgia
Sacrosantum Concilium diz-nos que a Liturgia é a atualização da história da salvação e a sua celebração permanente. A dimensão histórica expressa-se no anúncio profético do Antigo Testamento e no acontecimento real do Novo Testamento. O Hodie litúrgico atualiza o passado e antecipa o futuro. Procura-se passar do memorial (anamnésis) à invocação a Deus para que envie o Seu Espírito (epiclésis). O Hodie litúrgico refere-se ao eterno Hoje da Liturgia em que se torna presente o único e o mesmo mistério de Cristo.
Celebra-se a obra da redenção, ou seja, o plano histórico-salvífico realizado pelo Pai, em Cristo, por obra do Espírito Santo em benefício dos fiéis incorporados na Igreja. O mistério continuamente celebrado é uma celebração sacrificial e memorial que se atualiza e opera na obra redentora. Os grandes fundamentos teológico-litúrgicos saídos da Sacrosantum Concilum são:

1.1.O exercício do sacerdócio de Cristo

Quem preside à Liturgia é Jesus Cristo. Aquele que preside, preside na pessoa de Jesus Cristo pelo ministério que lhe foi atribuído pelas mãos da Igreja, é mandatado pela Igreja em nome de Deus – mandato apostólico proveniente do sucessor de Pedro; age por ação do Espirito Santo.

1.2.Liturgia como vértice e fonte da vida cristã;

1.3.A participação plena, consciente e ativa;

A participação é um direito e um dever, pertence ao caráter batismal. O participar significa transcender e ultrapassar o âmbito semântico-ritualista para penetrar no coração da ação litúrgica. Os participantes são os fiéis, que se tornam atores e ministros da própria celebração. Participa-se quando as pessoas estão envolvidas e interagem entre elas diante do ministério das três pessoas da Santíssima Trindade.

1.4.A epifania da Igreja

A Liturgia é a Igreja em oração e as ações litúrgicas o sacramento de unidade, isto é, o Povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos

1.5.A unidade substancial e a adaptação litúrgica às culturas

A Igreja é comunhão, unindo diversidade e unidade, pelo que tem de assumir tudo o que é de positivo que se encontra em todas as culturas.

1.6.A sã tradição e o progresso legítimo

A Liturgia compõe-se de uma dupla realidade: uma invisível, imutável e eterna; outra humana, visível e suscetível de modificação. Assim, o que se pretende é uma renovação (progresso) na linha de uma sempre viva Tradição (transmissão contínua da fé) que consinta um desenvolvimento orgânico.
O invisível, imutável e eterno, a celebração do mistério salvífico de Cristo, é expresso na Liturgia por sinais, símbolos e ritos, remetendo sempre para elementos naturais. Os símbolos remetem para o restabelecimento da unidade de algo já existe. A Igreja identifica-se pelo símbolo apostólico – Credo.
Os sinais realizam o que simbolizam, remete para o invisível. Os sinais da Igreja são os sacramentos.
Os ritos são formas importantes de símbolos religiosos que remetem para uma vivência particular e organizada de forma comunitária.
A Liturgia é um rito repetido várias vezes. Na ritualidade cristã há algo que é constante: Cristo é o seu fundamento. Não deve ser improvisada.

1.7.A língua

A questão da língua relaciona-se com o valor pastoral e didático da Liturgia, no sentido de favorecer a participação ativa e consciente dos fiéis na Liturgia.

1.8.A presença da Palavra de Deus

Não existe nenhuma ação litúrgica sem a Palavra, pois o que se lê na Escritura é o mesmo que se realiza na Liturgia. A Bíblia é o elemento essencial da Liturgia, dado que a Liturgia é a Bíblia transformada em palavra proclamada e em palavra rezada e atualizada. Desde os inícios da Igreja que a leitura das Escrituras é parte integrante da Liturgia.

1.9.A formação litúrgica

A formação litúrgica está intimamente ligada à participação ativa dos fiéis, pois trata-se de uma verdadeira pastoral no sentido de educar à participação, de ser uma ciência e uma arte de tornar os sinais da Liturgia profundamente comunicativos e de ser um momento de reflexão sistemática sobre a atividade litúrgica da Igreja.
1.10.        O canto e a arte sacra

O canto e a música desempenham a função de sinais e devem expressar a beleza da oração, a participação unanime da assembleia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração. O valor artístico deve servir como alimento da fé e da piedade dos homens de hoje, pelo que devem primar pela nobre simplicidade e pela beleza.

Liturgia – primeira escola de fé

A Liturgia realiza uma aprendizagem da fé, não apenas racionalmente, mas pelos sentidos, pois é um mistério que se escuta, vê, toca, saboreia e cheira. A Liturgia deve, por isso, ser séria, bela, simples, experiência do mistério e narração da perene aliança de Deus com os homens; equilíbrio entre a Palavra e o Sacramento – equilíbrio entre a palavra, o canto, o silêncio e o rito.

A Liturgia vive dos Sacramentos, estes celebram a ação salvífica de Cristo na Igreja nascida da Páscoa. O centro da celebração dos sacramentos é o Mistério da Páscoa de Cristo.

Sacramento é um sinal percetível pelos sentidos, é uma ação significativa feita de palavras e gestos que realiza o que significa. São sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais nos é dada a vida divina. Os ritos visíveis com os quais são celebrados os sacramentos, significam e realizam as graças próprias de cada sacramento e dão fruto naqueles que os recebem.

A Igreja age nos sacramentos como uma comunidade sacerdotal, organicamente estruturada:
  • ·         Pelo Batismo e pela Confirmação, o povo sacerdotal torna-se apto a celebrar a Liturgia;
  • ·         Pela Eucaristia, pela participação no sacrifício Eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, os cristãos oferecem o sacrifício divino e a si mesmos com Ele
  • ·         Pela Penitência obtêm a misericórdia de Deus e o perdão das ofensas;
  • ·         Pela Unção dos Doentes e a oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda dos doentes ao Senhor;
  • ·         Pela Ordem certos fiéis ficam instituídos em nome de Cristo para apascentar a Igreja com a palavra e graça de Deus; Pelo Matrimónio, os cônjuges cristãos auxiliam-se mutuamente para a santidade.

A Liturgia dos sacramentos é composta de sinais e de símbolos do mundo dos homens, conferindo-lhes a dignidade de sinais de graça. Em cada celebração sacramental realiza-se o encontro dos filhos de Deus com o seu Pai, em Cristo e no Espírito Santo, que se processa através de ações e de palavras “por ritos e orações”. No sacramento a Verbo torna-se visível. A instituição dos sacramentos deve entender-se como uma ação de Cristo que realiza a salvação. O evento pascal é o momento histórico da salvação, no qual Deus por Cristo institui o mistério pascal. Em Cristo cumpre-se verdadeiramente a Páscoa.
O Catecismo da Igreja Católica divide os sacramentos em três grandes blocos:
  •      Sacramentos de Iniciação Cristã (Batismo, Confirmação e Eucaristia);
  • Sacramentos de Cura (Reconciliação e Unção dos Doentes)
  • 3     Sacramentos ao Serviço da Comunhão (Ordem e Matrimónio)

Esta ordem segue a vida dos cristãos, na analogia de fases e momentos mais importantes – nascimento e crescimento, cura e missão à vida da fé dos cristãos.
É sempre Cristo quem batiza, quem casa, quem perdoa, é sempre Cristo o liturgo primeiro de todos os sacramentos – uma coisa é o que vedes, outra é o que tendes de ver, o invisível, Cristo.
Os sacramentais são sinais sagrados que significam realidades, sobretudo de ordem espiritual, e se obtêm pela oração da Igreja. De entre todos os sacramentais assumem particular relevância a celebração das bênçãos e exéquias.

A Igreja em Oração

A Igreja é o sujeito da Liturgia. A oração da Igreja é sempre um dom de Deus e é realizada pela comunidade cristã, reunida aqui e agora. O fundamento teológico da oração é a presença de Cristo em nós, o objeto e sujeito da oração litúrgica é Cristo.
Jesus Cristo deixou-nos um mandamento- “Orai sem cessar”, “vigiai e orai”; um documento – o Pai Nosso; e um exemplo – a Sua vida.
A oração litúrgica é a participação na oração de Cristo dirigida ao Pai no Espirito Santo. Rezar é uma arte.
“Senhor, estou aqui diante de Ti, à espera de nada” (oração Taizé)
Devemos rezar em Deus.
Na oração, o silêncio reveste-se de particular importância, é parte integrante da celebração litúrgica. No ritmo da celebração é necessário o recolhimento, a interiorização e a oração interior. Juntamente com a palavra e o canto, o silêncio é outra das grandes dimensões simbólicas da Liturgia. O cristão é convidado a passar à espiritualidade do silêncio como dimensão contemplativa da vida.
A Igreja reconhece na Liturgia a fonte de oração.
São Bento organizou a Liturgia das Horas para celebrar o Mistério de Cristo na vida quotidiana, designa a oração pública e comunitária.
A Liturgia das Horas tem a característica de santificar o curso do dia e da noite, por isso, está intimamente ligada ao ritmo do tempo, porque a própria Liturgia se insere no tempo e celebra o tempo da salvação.

Espiritualidade Litúrgica

A vida cristã requer sempre uma vida espiritual que não pode existir sem a Liturgia. A Liturgia celebra Jesus Cristo, o mistério da fé. Não é um rito, é um atos – lugar apropriado, específico, lugar de vida, primeira escola de fé. A espiritualidade não se ensina, aprende-se e experimenta-se. À pergunta dos discípulos –“onde moras?”, Jesus responde, “vinde e vede”; é um convite permanente para a comunicação plena e o seguimento definitivo de Cristo.
A vida espiritual cristã é a união do homem com Deus. O Pai é a fonte e o fim da Liturgia. Cristo significa e realiza na Liturgia o Seu mistério pascal e age pelos sacramentos. A missão do Espirito Santo na Liturgia é preparar para o encontro com Cristo e tornar presente a obra salvífica de Cristo pelo dom da comunhão da Igreja orante.

Ano Litúrgico

O ano é tido como a unidade mais longa do tempo e dos homens, seguindo o ritmo cíclico da terra à volta do sol. Partindo do dia de Páscoa como fonte de luz, o Ano Litúrgico não é um calendário de festas, mas o desenrolar dos diferentes aspetos do único mistério de Cristo. No seu conjunto, o Ano Litúrgico é imagem e sinal sacramental do plano eterno de salvação, que inclui o mistério de Cristo.
Com o tempo do Advento e da manifestação do Senhor inaugura-se o novo Ano Litúrgico. Segundo os livros litúrgicos da Liturgia romana, o Ano Litúrgico começa no primeiro domingo do Advento e termina no sábado posterior à solenidade de Cristo Rei do universo.
Esta noção desenvolveu-se lentamente como um todo, em torno de dois eixos fundamentais: a Páscoa e a sua preparação (Quaresma); e a partir do século IV, o Natal e a sua preparação (Advento), tendo ainda em conta os grandes ciclos cósmicos (lunar e solar).
O Ano Litúrgico integra em cada semana o dia do Senhor  - o Domingo, e, anualmente, a solenidade da Páscoa e as restantes festas.
Nos diversos tempos do ritmo anual da Liturgia, a Igreja recorda todo o mistério de Cristo, venera a Virgem Maria e comemora os mártires e os santos. A Liturgia não celebra temas, celebra sempre Cristo e as diversas dimensões da vida de Jesus e da Igreja.
A coordenada tempo é a categoria dentro da qual se opera a salvação. Deus entrou no tempo e bafejou-o de eternidade; não é uma noção nem se entende em termos de cronologia, mas antes como manifestação do tempo propício dos eventos salvíficos que ritmam a existência temporal.
O que aconteceu de uma vez para sempre na vida histórica de Jesus, torna-se sacramentalmente presente à Sua Igreja cada vez que se cumpre o imperativo evangélico – “Fazei isto em memória de Mim”.
Ao longo do Ano Litúrgico proclama-se Cristo como toda a amplitude do mistério pascal, por meio do anúncio da Palavra, da celebração ritual-sacramental em determinados dias e tempos de festa, especialmente ao Domingo, que é o fundamento e centro de todo o Ano Litúrgico e dia de festa primordial.
O Ano Litúrgico celebra o mistério de Deus em Cristo, porquanto está radicado sobre aquela série de eventos mediante os quais Deus entrou na história e na vida do homem.

O Domingo

O Domingo celebra-se desde as origens do Cristianismo como acontecimento originário e distintivo. Os testemunhos mais antigos são os textos neotestamentários dos Atos dos Apóstolos e apresentam a celebração do Domingo, dia do Senhor, ligada ao acontecimento da Páscoa. Este dia era o primeiro da semana hebraica no qual os cristãos se reuniam para a fração do pão. O Domingo é o fundamento e o centro de todo o Ano Litúrgico, o principal dia de festa a propor e inculcar no espírito dos fiéis, festa porque é uma celebração comemorativa dos acontecimentos realizados por Deus em favor do homem na história.
Todo o Ano Litúrgico decorre em terno de um único mistério, o da morte e Ressurreição de Cristo, no qual a Igreja vive continuamente.
O Domingo carateriza-se sobretudo pela celebração da Eucaristia, na qual a família de Deus, reunida para escutar a palavra da salvação e participar no pão da vida, celebra o memorial do Senhor ressuscitado, na esperança do domingo que não tem ocaso. No entanto, se não for possível a participação na celebração eucarística por falta de ministro sagrado ou por outra causa grave, recomenda-se que os fiéis tomem parte na Liturgia da Palavra ou consagrem tempo conveniente à oração pessoal ou em família ou em grupos de família, conforme a oportunidade, (Código do Direito Canónico).
Ministérios na Liturgia
Os vários ministérios operantes no interior da celebração, para o bem do povo de Deus, não são funções de poder mas de diaconia que deriva do sacerdócio de Cristo. A regra de ouro é “fazer tudo e só o que é da sua competência, segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas” (Sacrosantum Concilium).
Podemos distinguir: ministérios ordenados e ministérios instituídos. Há ainda os ministérios não instituídos, que são as inumeráveis formas espontâneas de serviço, de culto, de catequese, de caridade, com os quais a Igreja é rica em virtude e dom do Espírito Santo.
Ministérios ordenados: são um serviço permanente dentro do sacramento da Ordem e são os bispos, os presbíteros e os diáconos. Tratando-se dos Apóstolos e dos seus sucessores, constituem a hierarquia eclesial.
Ministérios instituídos: são serviços eclesiais que a Igreja confere com um rito próprio, na base de atitudes, da preparação e do testemunho cristão, aos fiéis para assumirem funções especiais na comunidade; como o leitor e acólito para o serviço da Palavra, da Eucaristia e dos Sacramentos.
O leitor proclama a Palavra de Deus, a sua presença e o seu ministério são a resposta da Igreja ao mandato recebido: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a todas as criaturas”, Mc 16,15.
O acólito resume em si grande parte das funções que realizava o subdiácono e que pertencem ao ministro extraordinário da comunhão.

Homilia

A homilia é parte integrante da celebração, faz com que a Palavra proclamada se atualize.
“Se pregando o que não fazem, os oradores são úteis a um grande número, sê-lo-iam muito mais se fizessem o que dizem”, Santo Agostinho.

Lectio Divina

A leitura orante da Bíblia torna a Palavra de Deus percetível à fé através do sinal de palavras e gestos humanos.

O Lugar de Celebração

O Cristianismo tem casas dedicadas em que a Igreja se realiza como tal: assembleia santa convocada por Deus para a celebração da Aliança mediante a palavra e o sacramento. O lugar em que a igreja e os cristãos se incorporam em Cristo pela oração, pela Palavra e pelos sacramentos, é um lugar sagrado.
O lugar de celebração é muito mais do que um edifício, é a casa para a assembleia do povo de Deus. A Liturgia realça a centralidade do altar, figura de Cristo, sacerdote, altar e cordeiro do próprio sacrifício realizado de uma vez por todos.
altar é o fulcro da celebração litúrfica e evidencia a sua profundidade cristológica.
É determinante a ordenação do espaço sagrado em função do trinómio: altar – ambão – sede. À volta destes três elementos congrega-se a assembleia, comunidade de escuta da Palavra de Deus, comunidade orante e comunidade que vive dos sacramentos.
O altar cristão tem a sua origem específica na mesa da Última Ceia. É nessa mesa que Jesus coloca o Seu corpo e sangue nas espécies de pão e vinho, qual realização do sacrifício profético do cordeiro pascal. A mesa convivial é também sacrificial. É o próprio Deus que se oferece ao homem.
É no ambão que a Palavra é proclamada com solenidade, para que seja escutada, meditada e motivo de ação. 
O ambão e o altar convergem numa única realidade litúrgica da qual parte a ação salvífica. O sacerdote é o sinal sacramental de Cristo presente, por isso a cadeira está presente – preside na pessoa de Jesus Cristo.
Outros elementos

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Apontamentos de História da Igreja

São Pedro e São Paulo
A expansão e consolidação do Cristianismo encontrou forte oposição nos três primeiros séculos da sua história. O Cristianismo exigia a adesão pessoal e interior a Jesus Cristo, mas não apareceu como uma religião para um povo, antes como uma fé para todos, a levar por toda a parte, a unir todos os povos. No início do século I, os cristãos eram segregados e perseguidos, vítimas de calúnias, eram acusados de magia, incesto, infanticídio ritual.
O fogo que consumiu Roma, em 64, (imperador Nero), despoletou a perseguição dos cristãos e a morte dos discípulos romanos de Cristo, que seriam queimados no circo. São Paulo e São Pedro seriam vítimas e a perseguição alastrou-se para além de Roma.
O incentivo ao culto imperial (imperador Domiciano), na mesma época, valeu aos cristãos a punição do Império. São João exila-se em Patmos. Com Trajano foram martirizados Simão, bispo de Jerusalém, e Santo Inácio. Os cristãos eram punidos através da legislação geral por recusarem o culto do imperador e dos deuses tradicionais. É desta altura a carta do jovem Plínio a imperador Trajano.

Encontro com o Gnosticismo

A palavra em grego deriva do conhecimento. É um conjunto de correntes filosófico-religiosas que dizia que o conhecimento superior e profundo do mundo e do homem dava sentido à vida. Apresentava-se como um conhecimento intelectual e não como uma adesão espiritual ou de fé, porque aderimos a Cristo pela fé.
Os gnósticos colocavam a razão no conhecimento que tinham adquirido em círculos fechados e de forma oculta. Eram um perigo para a Igreja porque a partir do conhecimento que tinham interpretavam as Sagradas Escrituras à sua maneira. Uma das suas características é a compreensão dualista: o corpo é mau, o espírito é bom; e é uma das contradições com a fé cristã pois Cristo encarnou e tornou-Se nossa carne para a salvar.
Irineu, bispo de Lião, vai lutar contra as heresias
É isso que Irineu, bispo de Lião, vai refutar no livro “Contra as Heresias”. Irineu pedia a adesão total a Cristo.
O Gnosticismo foi um perigo maior que as autoridades do Império.

Os vários imperadores (Marco Aurélio, Séptimo Severo, Maximino) perseguiram o Cristianismo, editando leis que impedissem o seu crescimento e fazendo muitas vítimas entre os catecúmenos e os neófitos.

Catecumenato:é o tempo ou instituição que no quadro da iniciação cristã se destinava a ajudar os recém-convertidos de uma fé inicial a uma fé adulta. Destina-se a todos os que passaram a ser cristãos. Até à eleição eram acompanhados e depois continuavam a ser acompanhados por padrinhos ou madrinhas. Vive-se muito hoje, em França, país que sofreu uma grande crise de fé. Nas nossas igrejas, crianças já com alguma idade têm de obedecer ao catecumenato para serem baptizadas.
O que se vincava era a tradição dos ensinamentos de Jesus Cristo, a catequese mistagógica, ou seja, de introdução ao mistério de Cristo.

Embora com alguns períodos de acalmia, todos os imperadores, de Décio a Diocleciano, perseguiram os cristãos. Publicaram-se éditos que condenavam à morte os membros da hierarquia que persistissem na fé. As celebrações ocorriam nas catacumbas. Foi aí que o Papa Sisto II e quatro diáconos foram mortos, surpreendidos na celebração da Eucaristia.

As acusações contra o Cristianismo surgiam de três origens:

  •          Meios populares
  •          Judaísmo
  •          Intelectuais pagãos

Os Apologistas (século II) atacavam os vícios pagãos contrapondo com a virtude cristã; aos judeus tentavam mostrar a união entre o Antigo e o Novo Testamento; e aos intelectuais pagãos explicavam a “semente do Verbo”, as sementes que Jesus semeia em que procuram de coração sincero a Verdade.

No século III, a Igreja atingiu uma ampla expansão e atingiu os meios cultos. Filósofos como Clemente de Alexandria e Orígenes serviram o estudo da Palavra de Deus. A formação jurídica de Tertuliano levou-o a defender adequadamente a doutrina cristã. 
Os Apóstolos e os seus colaboradores tinham fundado um número considerável de Igrejas locais, de Jerusalém a Roma, onde lhes sucederam, depois, os bispos. A Igreja estava bastante bem estruturada e havia muita união na relação com as comunidades. 
Sob esta herança, foi possível aos Concílios Ecuménicos dos séculos IV e V fixarem o sentido e acertarem a expressão comum das certezas cristãs.
  •     325 Niceia, imperador convoca Concílio para debater a questão de Cristo ser ou não consubstancial ao Pai
  •  Constantinopla – questão da divindade do Espírito Santo
  •   431 Éfesio – interrogações sobre a divindade da maternidade de Maria, mãe de Deus
  • 451 Calcedónia – luta contra o monofisismo que dizia que Cristo tinha apenas uma natureza, em que a humanidade tinha absorvido a divindade (considerada uma heresia)

Grandes Igrejas: Roma, Constantinopla, Antioquia, Alexandria, Jerusalém, a que se juntaram outras. Foi um período áureo dos bispos e da Igreja, embora, nos inícios da Igreja, alguns bispos e padres tenham caído em heresias (arianismo, monofisismo).