Mostrar mensagens com a etiqueta Cristianismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cristianismo. Mostrar todas as mensagens

sábado, 17 de novembro de 2012

História da Igreja: Cristianismo nas Ilhas Britânicas


O Papa Gregório Magno, monge beneditino, (540-604), foi responsável pelo envio dos primeiros missionários para converter os anglo-saxões nas Ilhas Britânicas. Enviou um grupo de 40 monges beneditinos, liderados por Agostinho de Cantuária, que seria o primeiro arcebispo da Cantuária, na chamada Missão gregoriana.
Deixou extensa obra escrita, incluindo sermões e comentários sobre a Bíblia, como o livro Moralia, que comenta o livro de Jó, e volumes de correspondência.
Também foi responsável pela compilação dos sete pecados capitais - a soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça - adaptando para o Ocidente a partir das oito tentações descritas pelo monge Evágrio do Ponto, dois séculos antes.
A figura do abade tem grande peso na ordem beneditina, considerado o vigário de Cristo na Comunidade. Logo, a sua palavra tem que ser ouvida como se fosse a do próprio Deus. O abade vai ter na Regra beneditina um papel de consolador e encorajador, sobretudo relativamente aos que incorrem na pena de excomunhão por cauda da desobediência24. Aliás, esta ternura tão pouco habitual em regras anteriores, vai ser uma das principais características da Ordem, conferindo-lhe um sentido universal, destinada a todos os homens da Terra, misturando severidade e rigor com ternura, apoio e compreensão.
A Regra de São Bento ajudou a diluir a ideia defendida no início do séc. VI, e suportada por Santo Agostinho, segundo a qual era difícil que um bom monge se tornasse um bom clérigo. 
Com efeito, a Regra possibilitou a evolução e preparação dos monges, que inicialmente eram analfabetos na sua maioria, não tendo formação adequada para exercerem funções de presbíteros. A insistência numa vida em comunidade fechada - a estabilidade era um dos princípios bases da Regra-, produzia um tipo de monge mais civilizado que podia ser aproveitado para o clero secular após uma preparação adequada.
Quando São Bento faleceu, apenas três mosteiros abservavam as suas prescrições e trinta anos mais tarde o próprio mosteiro de Montecassino era destruído pelos Lombardos.
Ao ser eleito Papa, Gregório Grande, antigo monge beneditino, encarregou-se de propagar a Regra da sua Ordem tendo em mente dois objectivos bem definidos.
1. favorecer o monaquismo, na medida em que era melhor para a expansão do Cristianismo;
2. desenvolver uma legislação unificada sobre a qual poderia exercer maior controle.
No final do seu pontificado já uma grande rede de mosteiros beneditinos cobria a Europa, entre os quais se salientaram as abadias de Jarrow, Malmesbury e Westminster, na Inglaterra, bem como as fundações antigas reconvertidas de Lérins e Marmoutier.
Gradualmente, e com o grande incremento dado por Gregório o Grande, o ideal beneditino foi-se espalhando e alicerçando tendo absorvido até a Regra de Columba, na Irlanda.
A Península Ibérica foi também influenciada pela corrente monástica que então se vivia na Europa.
De imediato ressaltam dois nomes: São Martinho de Dume, que na segunda metade do séc. VI trouxe à Galécia a doutrina do Monaquismo Oriental; de São Frutuoso de Braga, monge visigodo propulsor de um movimento ascético que sobreviveu à invasão islâmica, tendo composto uma Regra para monges e que mais tarde originou uma Regra comum.
No reino visigodo cristão vários Padres Hispânicos elaboraram Regras. Entre eles, salientaram-se São Leandro, com uma Regra para Virgens, dedicada a sua irmã Florentina, e Santo Isidoro, cuja Regra se destinou ao mosteiro Honorianense, na Bética.
A vida monástica na Hispânia estava subordinada aos prelados diocesanos-bispos, que tinham o direito não só de escolher o abade dos mosteiros mas também o de corrigir os excessos cometidos contra a Regra.
Este facto demarcou o monaquismo da Espanha goda do ideal beneditino, que impunha que o abade fosse eleito pela Congregação tendo a partir desse momento papel soberano sobre toda a comunidade.
No que se refere à província da Lusitânia, um dos seus mosteiros mais antigos foi o do Lorvão, segundo Fortunato de Almeida28, sendo provável que a sua fundação date de meados do séc. VI e que, a par dos mosteiros de Dume e de São Martinho de Tibães, constitui um marco importante da vida monástica em território que posteriormente viria a ser Portugal.
Irlanda
Ainda está por explicar a rápida difusão do Cristianismo na Irlanda, cuja bandeira exibe um trevo, numa referência a São Patrício.
A corrente monástica nas Ilhas Britânicas e, em especial, na Irlanda revestiu-se de características muito próprias que a demarcaram relativamente a outras regiões.
Com efeito, quando o Cristianismo espalhava a sua influência em ambas as margens do Mediterrâneo, a Inglaterra encontrava-se ainda sob o domínio de Roma. A lenda e a tradição falam das viagens à Bretanha (hoje Grã-Bretanha) de Paulo, Filipe e José de Arimateia, bem como da fundação cristã em Glastonbury. Contudo, tudo isto não passa de uma mera hipótese, à qual se vem juntar a ideia de que até mesmo entre os romanos, que se encontravam na Bretanha durante o período de ocupação, alguns podiam ter ouvido e aceitado a mensagem do Cristianismo30. A primeira menção a cristãos na Grã-Bretanha aparece no Tratado contra os Judeus (202), de Tertuliano, no qual se faz referência a zonas da Bretanha inacessíveis aos Romanos, mas onde já vigoravam os ensinamentos de Cristo.
Em 314, por ocasião do Concílio de Arles, três bispos representaram a Bretanha, o que denota já um avanço considerável da Igreja numa base diocesana. Anos mais tarde, em 359, alguns bispos britânicos estiveram presentes num dos maiores concílios da Igreja - o de Rimini, ainda que com uma fraca representação.
Com excepção para Santo Albano, que no dizer do Venerável Bede, é o primeiro cristão digno de registo na Bretanha, é a partir do séc. V que passa a ser possível distinguir as grandes personalidades no processo de cristianização das Ilhas Britânicas, e em especial da Irlanda. São Patrício surge então como responsável pela chamada "conversão da Irlanda", sendo reconhecido como herói nacional. Considerada uma ilha bárbara, a Irlanda nunca se integrou no Orbis Romanus. São Jerónimo referia-se aos seus habitantes em termos pouco lisonjeiros e o espírito irlandês sempre se manifestou de um modo muito particular, envolto numa auréola de mistério e magia.
São Patrício (387 — 17 de março de 461) foi primeiramente um missionário cristão, sendo depois sagrado bispo e santo padroeiro da Irlanda, juntamente com Santa Brígida de Kildare e São Columba. É considerado o Apóstolo da Irlanda.
Quando tinha dezesseis anos foi capturado e vendido como escravo para a Irlanda, de onde escapou e retornou à casa de sua família seis anos mais tarde. Iniciou então sua vida religiosa e retornou para a ilha de onde tinha fugido para pregar o Evangelho. Converteu centenas de pessoas, muitas delas se tornaram monges. Para explicar como a Santíssima Trindade era três e um ao mesmo tempo utilizava o trevo de três folhas e por isso o mesmo tem papel importante na cultura Irlandesa. Foi incentivador do sacramento da confissão particular, tal como conhecemos hoje, visto que antes o mesmo era realizado de forma comunitária. Um século mais tarde essa prática se propagou para o restante da Europa.
São Patrício tornou-se o “druida de Deus” ao converter com êxito os chefes das tribos, conseguindo difundir o monaquismo.
À medida que São Patrício viajava, eram fundados novos mosteiros, alguns deles tão grandes que incluíam alguns milhares de monges que aí se recolhiam com o principal objectivo de se prepararem para aumentarem o seu grupo baptizando novos monges. É a época do monge missionário, traço característico do monge celta, que quer levar o Evangelho a toda a parte, fazendo da sua vida uma "peregrinação" por Cristo.
Evangelizadores como São Patrício imbuíram de espírito cristão a cultura dominante sem aniquilar a sua matriz cultural.

Fonte: apontamentos da aula e http://www.ipv.pt/millenium/15_arq1.htm

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Apontamentos de História da Igreja

São Pedro e São Paulo
A expansão e consolidação do Cristianismo encontrou forte oposição nos três primeiros séculos da sua história. O Cristianismo exigia a adesão pessoal e interior a Jesus Cristo, mas não apareceu como uma religião para um povo, antes como uma fé para todos, a levar por toda a parte, a unir todos os povos. No início do século I, os cristãos eram segregados e perseguidos, vítimas de calúnias, eram acusados de magia, incesto, infanticídio ritual.
O fogo que consumiu Roma, em 64, (imperador Nero), despoletou a perseguição dos cristãos e a morte dos discípulos romanos de Cristo, que seriam queimados no circo. São Paulo e São Pedro seriam vítimas e a perseguição alastrou-se para além de Roma.
O incentivo ao culto imperial (imperador Domiciano), na mesma época, valeu aos cristãos a punição do Império. São João exila-se em Patmos. Com Trajano foram martirizados Simão, bispo de Jerusalém, e Santo Inácio. Os cristãos eram punidos através da legislação geral por recusarem o culto do imperador e dos deuses tradicionais. É desta altura a carta do jovem Plínio a imperador Trajano.

Encontro com o Gnosticismo

A palavra em grego deriva do conhecimento. É um conjunto de correntes filosófico-religiosas que dizia que o conhecimento superior e profundo do mundo e do homem dava sentido à vida. Apresentava-se como um conhecimento intelectual e não como uma adesão espiritual ou de fé, porque aderimos a Cristo pela fé.
Os gnósticos colocavam a razão no conhecimento que tinham adquirido em círculos fechados e de forma oculta. Eram um perigo para a Igreja porque a partir do conhecimento que tinham interpretavam as Sagradas Escrituras à sua maneira. Uma das suas características é a compreensão dualista: o corpo é mau, o espírito é bom; e é uma das contradições com a fé cristã pois Cristo encarnou e tornou-Se nossa carne para a salvar.
Irineu, bispo de Lião, vai lutar contra as heresias
É isso que Irineu, bispo de Lião, vai refutar no livro “Contra as Heresias”. Irineu pedia a adesão total a Cristo.
O Gnosticismo foi um perigo maior que as autoridades do Império.

Os vários imperadores (Marco Aurélio, Séptimo Severo, Maximino) perseguiram o Cristianismo, editando leis que impedissem o seu crescimento e fazendo muitas vítimas entre os catecúmenos e os neófitos.

Catecumenato:é o tempo ou instituição que no quadro da iniciação cristã se destinava a ajudar os recém-convertidos de uma fé inicial a uma fé adulta. Destina-se a todos os que passaram a ser cristãos. Até à eleição eram acompanhados e depois continuavam a ser acompanhados por padrinhos ou madrinhas. Vive-se muito hoje, em França, país que sofreu uma grande crise de fé. Nas nossas igrejas, crianças já com alguma idade têm de obedecer ao catecumenato para serem baptizadas.
O que se vincava era a tradição dos ensinamentos de Jesus Cristo, a catequese mistagógica, ou seja, de introdução ao mistério de Cristo.

Embora com alguns períodos de acalmia, todos os imperadores, de Décio a Diocleciano, perseguiram os cristãos. Publicaram-se éditos que condenavam à morte os membros da hierarquia que persistissem na fé. As celebrações ocorriam nas catacumbas. Foi aí que o Papa Sisto II e quatro diáconos foram mortos, surpreendidos na celebração da Eucaristia.

As acusações contra o Cristianismo surgiam de três origens:

  •          Meios populares
  •          Judaísmo
  •          Intelectuais pagãos

Os Apologistas (século II) atacavam os vícios pagãos contrapondo com a virtude cristã; aos judeus tentavam mostrar a união entre o Antigo e o Novo Testamento; e aos intelectuais pagãos explicavam a “semente do Verbo”, as sementes que Jesus semeia em que procuram de coração sincero a Verdade.

No século III, a Igreja atingiu uma ampla expansão e atingiu os meios cultos. Filósofos como Clemente de Alexandria e Orígenes serviram o estudo da Palavra de Deus. A formação jurídica de Tertuliano levou-o a defender adequadamente a doutrina cristã. 
Os Apóstolos e os seus colaboradores tinham fundado um número considerável de Igrejas locais, de Jerusalém a Roma, onde lhes sucederam, depois, os bispos. A Igreja estava bastante bem estruturada e havia muita união na relação com as comunidades. 
Sob esta herança, foi possível aos Concílios Ecuménicos dos séculos IV e V fixarem o sentido e acertarem a expressão comum das certezas cristãs.
  •     325 Niceia, imperador convoca Concílio para debater a questão de Cristo ser ou não consubstancial ao Pai
  •  Constantinopla – questão da divindade do Espírito Santo
  •   431 Éfesio – interrogações sobre a divindade da maternidade de Maria, mãe de Deus
  • 451 Calcedónia – luta contra o monofisismo que dizia que Cristo tinha apenas uma natureza, em que a humanidade tinha absorvido a divindade (considerada uma heresia)

Grandes Igrejas: Roma, Constantinopla, Antioquia, Alexandria, Jerusalém, a que se juntaram outras. Foi um período áureo dos bispos e da Igreja, embora, nos inícios da Igreja, alguns bispos e padres tenham caído em heresias (arianismo, monofisismo).

História da Igreja: Carta do jovem Plínio a Trajano


Tenho por praxe, Senhor, consultar Vossa Majestade nas questões duvidosas. Quem melhor dirigirá minha incerteza e instruirá minha ignorância? Nunca presenciei nenhum julgamento de cristãos. Por isso ignoro as penalidades e investigações costumeiras, bem como as pautas em uso. Tenho muitas dúvidas a respeito de certas questões, tais como: estabelecem-se diferenças e distinções de acordo com a idade? Cabe o mesmo tratamento a enfermos e robustos? Aqueles que se retratam devem ser perdoados? A quem sempre foi cristão, compete gratificar quando deixa de sê-lo? Há de punir-se o simples fato de alguém ser cristão, mesmo que inocente de qualquer crime, o exclusivamente os delitos praticados sob esse nome?
Entretanto, eis o procedimento que adotei nos casos que me foram submetidos sob acusação de cristianismo. Aos incriminados pergunto se são cristãos. Na afirmativa, repito a pergunta segunda e terceira vez, ameaçando condená-los à pena capital. Se persistirem, condeno-os à morte. Não duvido que, seja qual for o crime que confessem, sua pertinácia e obstinação inflexíveis devem ser punidas. Alguns apresentam indícios de loucura; tratando-se de cidadãos romanos, separo-os para enviá-los a Roma.
Mas o que geralmente se dá é o seguinte: o simples fato de julgar essas causas confere enorme divulgação às acusações, de modo que meu tribunal está inundado com uma grande variedade de casos. Recebi uma lista anónima com muitos nomes. Os que negaram ser cristãos, considerei-os merecedores de absolvição. De fato, sob minha pressão, devotaram-se aos deuses e reverenciaram com incenso e libações vossa imagem colocada, para este propósito, ao lado das estátuas dos deuses, e, pormenor particular, amaldiçoaram a Cristo, coisa que um genuíno cristão jamais aceita fazer. Outros inculpados da lista anónima começaram declarando-se cristãos e, logo, negaram sê-lo, declarando ter professado esta religião durante algum tempo e renunciando a ela há três ou mais anos; alguns a tinham abandonado há mais de vinte anos. Todos veneraram vossa imagem e as estátuas dos deuses, amaldiçoando a Cristo. Foram unânimes em reconhecer que sua culpa se reduzia apenas a isso: em determinados dias, costumavam comer antes da alvorada e rezar responsivamente hinos a Cristo, como a um deus; obrigavam-se por juramento não a algum crime, mas à abstenção de roubos, rapinas, adultérios, perjúrios e sonegação de depósitos reclamados pelos donos. Concluído este rito, costumavam distribuir e comer seu alimento. Este, aliás, era um alimento comum e inofensivo. Eles deixaram essas práticas depois do edito que promulguei, de conformidade com vossas instruções, proibindo as sociedades secretas. Julguei ser mais importante descobrir o que havia de verdade nessas declarações através da tortura a duas moças, chamadas diaconisas, mas nada achei senão superstição baixa e extravagante. Suspendi, portanto, minhas observações na espera do vosso parecer. Creio que o assunto justifica minha consulta, mormente tendo em vista o grande número de vítimas em perigo. Muita gente, de todas as idades e de ambos os sexos, corre o risco de ser denunciada e o mal não terá como parar. Esta superstição contagiou não apenas as cidades, mas as aldeias e até as estâncias rurais. Contudo, o mal ainda pode ser contido e vencido. Sem dúvida os templos que estavam quase desertos são novamente freqüentados; os ritos sagrados há muito negligenciados, celebram-se de novo; vítimas para sacrifícios estão sendo vendidas por toda a parte, ao passo que, até recentemente, raramente um comprador era encontrado. Esses indícios permitem esperar que legiões de homens sejam susceptíveis de emenda, desde que tenham a oportunidade de se retratar.

Esta carta, do início do século II, descreve o tratamento dado aos cristãos e o motivo da sua perseguição: a fé em Cristo. É interessante como Plínio destaca a fidelidade dos verdadeiros cristãos – “amaldiçoaram a Cristo, coisa que um genuíno cristão jamais aceita fazer”.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Revelação e Fé: À procura de Deus

Um excelente documentário aconselhado na disciplina de Revelação e Fé pelo Pe. Júlio Gomes. Transmitido pelo canal História, 1ºepisódio.